Polícia Civil investiga clínica clandestina de estética

Divulgação

O funcionamento clandestino de uma clínica estética no bairro Tibery em  Uberlândia, está sendo investigado pela Polícia Civil (PC).

No local, a suposta enfermeira Juciléia Guimarães, 33, aplicaria enzimas para emagrecimento e tratamento de estrias e varizes ilegalmente. A mulher é, pela segunda vez, alvo de uma investigação policial. Em 2008, a atividade dela na cidade também foi denunciada.

Na última sexta-feira (11), investigadores cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa da mulher, localizado na avenida Austrália. A princípio, com informações repassadas pela Vigilância Sanitária, pensava-se que lá funcionasse uma clínica de aborto, já que vizinhos relataram presenciar, constantemente, o descarte de seringas.

Porém verificaram que, na verdade, uma clínica estética sem alvará sanitário estava improvisada em um cômodo nos fundos do imóvel. No quarto, 20 seringas, 20 agulhas e três frascos de Hyalozima (enzimas que queimam gordura) mais dois de xilocaína (anestésico) foram encontrados e apreendidos. Além disso, nove agendas com nomes de prováveis clientes dela foram recolhidos.

Segundo o delegado Hélder Carneiro, responsável pelo caso, a mulher se identificou como enfermeira formada na Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) e registrada no Conselho Regional de Enfermagem (Coren) aos policiais na ocasião. “Porém, ela não apresentou nenhum documento”, disse.

Ainda segundo o delegado, sobre os materiais encontrados, ela disse que usaria para aplicar em parentes, em amigos e em si mesmo. “Como não a pegamos praticando o ato, não foi possível prendê-la em flagrante”, disse. No entanto, o delegado afirmou que ela deverá ser indiciada por exercício ilegal da profissão e estelionato.

Estelionato

Ainda hoje (17), a reportagem procurou o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e foi informado que não há nenhum registro de Juciléia Guimarães no órgão. Também não há registro de uma aluna com o nome dela no histórico da Faculdade de Medicina e Enfermagem da UFU, segundo informou a coordenação do curso.

Em contato com a reportagem, o marido da suposta enfermeira, que se identificou apenas como “Erick”, disse que ela não se pronunciaria sobre o caso. Perguntando quanto ao fato dos órgãos negarem que ela seja enfermeira, não quis responder. Mas disse que, na casa dela, funcionaria apenas uma clínica de massagem. “Para isso, não precisa de alvará. As enzimas ela aplica nela e em mim somente”, afirmou. Estabelecimentos de massagem, conforme a Vigilância Sanitária, também precisam de alvará.

Antecedente

A suposta enfermeira Juciléia Guimarães já responde um processo criminal por lesão criminal na Justiça de Uberlândia. Em 2008, uma estudante universitária procurou os órgãos de segurança e o CORREIO após ter ficado com feridas e marcas irremediáveis por causa da aplicação de enzimas feita por Juciléia.

Na época, a suposta enfermeira fazia atendimentos em uma casa do bairro Roosevelt, zona norte. Procurada pela reportagem para responder sobre a denúncia da estudante, alegou ter formado na UFU. O fato também não confirmado pela coordenação do curso na época.

Fiscalização

Um laudo sobre os materiais e substâncias apreendidos na casa da suposta enfermeira pela Polícia Civil (PC) deve ser feito pela Vigilância Sanitária Municipal, segundo informou a coordenadora do órgão, Gilda Alves Corrêa. “É nossa única atuação. Isso porque, como ela agia como pessoa física, não há como puni-la por infrações sanitárias. Fica na esfera criminal”, disse a coordenadora. A análise irá compor o inquérito policial.

Conforme a coordenadora, a enzima Hyalozima encontrada na casa dela não é usada, no meio medicinal, para tratamento estético. Apesar disso, pode ser encontrado nas farmácias e comprado com prescrição médica. Segundo o Conselho Regional de Enfermagem, mesmo que ela fosse enfermeira, não poderia fazer a aplicação de enzimas.

Fonte: Jornal Correio de Uberlândia

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