A liderança tem como principal responsabilidade maximizar as competências de seus liderados e correlacioná-las de forma positiva com o objetivo de atingir os resultados esperados pela empresa.

Note que o líder favorece a equipe e favorece a empresa. O líder estabelece o vínculo entre os colaboradores e a organização. Ele é o representante da empresa na equipe e o representante do time para a empresa.

Tanta ênfase, minha gente, é para reforçar que a liderança não pode ser unilateral, tendenciosa e protecionista. Levantar a bandeira dos liderados e exigir ações da empresa que desfavoreçam sua estratégia de trabalho é o mesmo que dar um tiro no pé. Defender os interesses da organização e exigir resultados irreais de sua equipe é criar uma falsa sensação imediata de bem estar, com resultados que não se sustentam ao longo prazo.

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Tudo isso para falar de um personagem, infelizmente, comum no mundo corporativo: oLíder que Mente. Despreparado, este gestor varre a sujeira para debaixo do tapete e acumula problemas.

Há tempos, tenho observado o Líder que Mente driblando as dificuldades e obstáculos do dia-a-dia, inventando falsas realidades. São gestores que não foram preparados para gerenciar crises e utilizam a mentira para prolongar prazos, evitar afrontas necessárias e determinar mudanças indispensáveis para o desenvolvimento do negócio e das pessoas. Óbvio que, dificilmente, esta liderança se sustenta mas, enquanto dura, traz diversos malefícios.

Compartilho com vocês, caros leitores, um check list para que identifiquem Líderes que Mentem e dicas de como lidar ao se depararem com esta figurinha carimbada nas organizações:

1 – Foco em promessas: Promessas não sustentam resultados. Geralmente, estes líderes retrucam um problema com uma promessa e nunca com uma solução. Quando o presidente da empresa diz que as estão com problema de performance, o Líder que Mente promete que tudo vai ficar melhor. Quando o funcionário diz que quer um aumento de salário, o Líder que Mente promete que tudo vai melhorar, só para não ter gerir a insatisfação do liderado.

Ao invés de ADMITIR o problema de performance para o presidente da empresa e apresentar um plano de ação, com atividades específicas e prazos, este líder se esconde atrás de promessas evasivas.
Ao passo de informar o liderado que não há budget para aumento, ENFRENTAR a insatisfação do liderado e ter atitudes que estimulem a desmotivação do funcionário, esta liderança se esconde, como de costume, atrás de promessas evasivas.

A conseqüência é sempre a mesma: falta de resultados positivos e equipes desmotivadas. No primeiro momento, as promessas sustentam uma realidade feliz mas, ao longo prazo, a casa desmorona pois os resultados não aparecem por falta de gerenciamento eficiente.

2 – Irresponsável: Entendamos irresponsável como alguém que NÃO RESPONDE por suas ações. O Líder que Mente sempre empurra as conseqüências negativas de suas atitudes para outras pessoas. Utilizando o exemplo anterior, este líder dirá para seu funcionário que não pode dar um aumento porque o diretor da empresa não aprovou. Dirá para um liderado que está com atitudes inadequadas que só está dando um feedback negativo porque o pessoal do RH está exigindo mas que não é a opinião dele. O Líder que Mente faz de tudo para evitar conflitos, afinal de contas, ele não sabe gerir crises.

Geralmente, as equipes têm muita empatia por estes líderes e odeiam a empresa já que a gestão sempre culpa a organização pelas insatisfações dos funcionários. Este líder não se posiciona como representante da empresa.

Já a percepção da empresa é que estas lideranças têm péssimas equipes, pois sempre que há um problema, o líder culpa algum liderado pelo erro. É comum as equipes terem alta rotatividade, já que estes gestores preferem trocar os colaboradores a desenvolver competências.

3 – SIM, SIM, SIM:Líder que Mente não sabe dizer NÃO para nada nem ninguém. Evitando a indisposição, aceita tudo de todos e comete erros fatais para uma performance eficaz: Como não rebate nada, aceita fazer atividades inadequadas e que não têm resultados satisfatórios; Acumula atividades e, por conseqüência, não entrega nada no prazo. Culpa os outros e promete melhorias. Isto vira um ciclo vicioso e ineficiente.

Agora, a pergunta definitiva: como lidar com estes gestores?

É comum líderes serem exemplos, e o Líder que Mente também é um. Só que um mau exemplo. Ele engana, manipula a realidade. Por isso, comportamentos como estes devem ser banidos de imediato. Em seguida, promova com esta liderança um alinhamento de expectativas, definindo, exatamente, o que se espera dele. Divida este alinhamento em ATIVIDADES ESPERADAS, COMPORTAMENTOS ESPERADOS, FOLLOW UPS ESPERADOS, RESULTADOS/METAS ESPERADOS e dê um PRAZO para adequação.

O mais interessante desta reflexão é entender que este profissional mente, principalmente, para ele mesmo. Ele cria uma falsa performance e colhe, a curto prazo, desprazeres em sua carreira. Colhe ineficiência, pouco ou nenhum resultado e péssimas recomendações.

Se você se identificou, não se sinta denegrido. ADMITIR uma fraqueza é o primeiro passo para a mudança. Diferente do que já fez até hoje, ENFRENTE e proponha-se uma mudança.

Se você conhece um Líder que Mente, não seja conivente com esta má conduta. Oponha-se e se proponha a ajudar. No caso de recusa da ajuda, é hora de pensar em substituição. Admitir estes comportamentos é admitir performance mediana em sua organização.

Você vive uma mentira? Encarar as verdades de sua organização e equipe de trabalho, sejam elas boas ou ruins, é a premissa para a promoção de melhorias.

Abraços e até mais, meu povo!


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