Crítica: “Os Penetras”

 

Um bando de bons de bico

Fazer comédia está cada vez mais difícil hoje em dia. A “patrulha do politicamente correto” está eternamente a postos, pronta para pegar qualquer piada que seja, tirá-la de seu contexto e afirmar que ela ofende grupos sociais que na maioria das vezes, sequer chegaram a escutar a tal piada.

Assim, sempre é bom ver uma comédia que não se rende ao medo e que faz humor de qualidade, independente de como o mesmo possa vir a ser interpretado. “Os Penetras” é um filme politicamente incorreto e não tem medo de assumir isso.

Nossa história acontece no Rio de Janeiro e envolve dois sujeitos bastante distintos. De um lado, temos Marco Polo (Marcelo Adnet), um malandro profissional, que usa suas habilidades para enrolar moçoilas, turistas e todos mais que cruzarem seu caminho, do outro, temos Beto (Eduardo Sterblitch), um sujeito ingênuo, carente e grudento que está obcecado por uma mulher.

Os dois se encontram de forma inusitada e tornam-se “amigos” assim que Marco percebe todo o dinheiro que pode arrancar de Beto. O pilantra promete ajudar seu novo camarada a conquistar Laura (Mariana Ximenes), a mulher de seus sonhos. O que ele não esperava era descobrir que a garota era tão cheia de malandragem quanto ele e ficar caidinho por ela.

A confusão se arma quando Marco passa a invadir as festas mais badaladas do Rio de Janeiro atrás de Laura, enquanto tenta despistar Beto. Mas o apaixonado não é tão bobo quanto parece…

A trama é simples e guiada pelos personagens. Todos são arquétipos que já vimos inúmeras vezes, mas o elenco faz um trabalho tão bom em representá-los que compramos a ideia e nos deixamos levar por eles.

Sempre achei que Marcelo Adnet tinha cara de amigão. Vocês sabem, aquele camarada que está sempre do nosso lado quando precisamos, que nos leva pra jogar sinuca quando estamos chateados e nunca nega carona de volta para casa. Ele parece ser um sujeito legal demais, como poderia convencer no papel de malandro oportunista?

Bom, ele convence. Adnet conseguiu criar um personagem bastante interessante, que se mostra odioso em alguns momentos, ms incrivelmente adorável em outros. Muito disso deve-se a seu carisma natural, mas seu esforço para ser convincente com na pele de Marco é bastante notável.

Sterblich também convence ao interpretar Beto. Sua carência é palpável e embora seja muito fácil sentir pena do personagem e seu dilema, não há como não achá-lo um chato. Todos já tivemos (e já fomos em algum momento) o cara carente e sem confiança que não faz nada sem os amigos. Nos divertimos com sua performance, mas também ficamos um pouco desconfortáveis com ela e acho que era este efeito que o ator queria alcançar.

Mas em minha opinião, quem rouba a cena é Mariana Ximenes. Me acostumei a vê-la no papel a mocinha, da garota adorável, da vizinha fofa, com quem qualquer homem adoraria namorar. Aqui ela esbanja sensualidade, malandragem, perigo. É aquela garota que nenhuma mãe quer ter como nora e justamente isso que a torna tão interessante. Mesmo com sua carinha de menina adorável, ela convence muito no papel de “mulher fatal” e não há como não nos apaixonarmos por ela junto dos homens do longa. Sem contar que ela é uma figura feminina bastante forte, talvez a mais capacitada a sobreviver no mundo em que estes fascinantes seres habitam.

O elenco de apoio também não deixa nada a desejar. Stepan Nercessian, Luiz Gustavo e Luis Carlos Miele desempenham muito bem seus papéis. E claro, Susana Vieira, que parece divertir-se como nunca ao fazer a entediada esposa de um magnata.

Claro, não vamos esquecer de Elena Sopova no papel de Svetlana. A moça é russa, não fala uma palavra sequer em português e não a entendemos a maior parte do tempo, mas seu charme é tão irresistível que quando aparece, é impossível desviar o olhar dela.

 

“Os Penetras” é uma comédia inteligente e muito bem cuidada, onde diversos personagens carismáticos enchem a tela o tempo inteiro. No fim das contas, é uma história sobre amizade e como até mesmo alguém que ganha a vida passando a perna nos outros pode ter uma consciência.

Se você der uma chance a estes adoráveis patifes, aposto que irá se divertir muito.

 

Fonte: http://blogs.pop.com.br/cinema/critica-os-penetras/

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