Senador Aécio Neves participa de evento em Uberlândia nesta segunda

Senador tucano Aécio Neves

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) participa nesta segunda-feira (28), em Uberlândia, do evento “Conversa com os mineiros”, promovido pelos tucanos em um dia em que a cidade também receberia a visita do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), potencial candidato petista ao governo de Minas. Porém, o evento foi adiado para terça-feira (29) .

O senador do PSDB, potencial candidato a presidente da República, criticou a exposição e o uso do cargo pela presidente Dilma Rousseff (PT), segundo ele, neste período em que antecede a eleição presidencial a menos de um ano do pleito.

Na entrevista concedida ao Jornal Correio de Uberlândia, o senador também analisou a forma de concessão partilhada do leilão do campo de Libra, na bacia de Santos. O senador tachou de “incompetência do governo do PT” a gestão da economia nacional. “O Brasil virou o patinho feio da história”, disse, abordando o crescimento brasileiro em relação ao da América do Sul como um todo.

Sobre o encontro dos tucanos, que será realizado nesta segunda (28), às 11h30, na avenida Anselmo Alves dos Santos, 1.542, no bairro Tibery, zona leste de Uberlândia, Aécio Neves afirmou que o candidato ao governo de Minas que será escolhido dentro do seu grupo estará no evento.

É uma situação mais complicada ter que falar em mudanças na esfera federal sendo governo em nível estadual?

Eu acho que não. Acho que esse ciclo de governo do PT, que tem responsabilidade, por exemplo, sobre a condução macroeconômica do Brasil, fracassou. O Brasil crescerá, neste ano, apenas mais do que a Venezuela na América do Sul. Há um clima hoje de insegurança por parte dos investidores que teriam necessidade de trazer seus investimentos para o Brasil e nos ajudar na recuperação da economia. Nós temos uma inflação renitente e sempre no teto da meta; nos preços livres, temos uma inflação acima de 9% e, nos preços controlados pelo governo, como tarifa de energia, transporte e gasolina, em torno de 1%. Eu participei, recentemente, de um grande fórum de investidores em Nova York e o clima em relação ao Brasil é de desalento. O papel do PSDB, que foi o responsável pela estabilidade econômica e pela recuperação da credibilidade do Brasil e pela Lei de Responsabilidade Fiscal, é exatamente iniciar um novo ciclo no Brasil. Eu, portanto, estou preparado para esse debate em nível nacional e em nível estadual. Em Minas, ainda temos muito que fazer, mas o Estado avançou muito ao longo do período de governo do PSDB. Em relação ao Brasil, infelizmente, o período da presidente Dilma apresentará uma contradição: inflação alta e um crescimento medíocre.

Qual a opinião do senhor sobre o Leilão do campo de Libra, conduzido pelo governo federal?

Foi um leilão do governo para priorizar o recebimento de R$ 15 bilhões do bônus de assinatura para fazer o equilíbrio fiscal. Porque não conseguiram fazer para alcançar o superávit. Por conduzirem mal a economia e de maneira ineficiente. O que aconteceu no Brasil, infelizmente, é que a Petrobras paga um preço alto pela ineficiência do governo. No que diz respeito ao descontrole inflacionário, por exemplo, a Petrobras teve que segurar artificialmente o preço da gasolina para que a inflação não aumentasse ainda mais. Agora, o governo não conseguirá alcançar o superávit primário, que já era baixo. Por uma política extremamente expansionista, é obrigado a fazer às pressas esse leilão, que atende exclusivamente ao Ministério da Fazenda, e não atende, a meu ver, ao interesse da população brasileira. Aliás, só para registrar, o Brasil é o único país do mundo onde se comemora em cadeia de rádio e televisão, impróprias a meu ver, e com ufanismo irresistível e incontrolado, um leilão em que aparece apenas um consórcio, um participante, que adquire o que foi colocado em leilão sem qualquer ágio. Então, não foi um sucesso como o governo tem apregoado.

Qual seria o modelo ideal para essa concessão na sua ótica?

É o que vigorou até 2007. Foi, a partir de 1997, com a Lei do Petróleo, que nós começamos a atrair e ter investimentos mais expressivos para a Petrobras. Registre-se: votado com a objeção e a oposição ferrenha do PT. Foi exatamente a Lei do Petróleo, que possibilitou investimentos que levaram à descoberta do campo de Libra. O sistema de concessões deveria ter sido usado, porque a mudança para partilha deixou o Brasil de 2007 a 2012 fora dos grandes investimentos feitos na área de petróleo. Para se ter uma ideia, foram US$ 300 bilhões (cerca de R$ 660 bilhões) que a indústria do petróleo investiu entre 2007 e 2012 no mundo. E sabe quanto desse dinheiro veio para o Brasil? Zero reais. Porque o governo fechou os leilões para fazer a transferência para o sistema de partilha. Não me parece o mais adequado. O mais adequado era aquele que trouxe mais de 70 empresas para o Brasil e que valorizou a Petrobras. Agora, nesse sistema de partilha, por um lado a Petrobras está com o seu caixa combalido, com o seu endividamento triplicado e com o seu valor de mercado muito rebaixado. Nós, hoje, não somos sequer a maior empresa petroleira da América do Sul, algo impensável lá atrás. A colombiana hoje é a maior. E é exatamente, neste momento de fragilidade da Petrobras, que ela é levada a participar com cerca de 40% dos investimentos para a exploração desse campo. Algo que certamente gerará dificuldades de caixa para ela no futuro.

Quem vai cobrir essa dificuldade de caixa? Será o consumidor brasileiro na hora de encher o tanque de combustível?

Já começa a pagar agora. Tudo isso é consequência da má condução da política econômica, que flexibilizou a condução da inflação. No governo da presidente Dilma, jamais será alcançado o centro da meta. Na verdade, trabalha-se com uma meta virtual de 6%, que para países em desenvolvimento com o padrão do Brasil é algo extremamente alto. A falta de clareza e transparência na política fiscal do governo gera insegurança grave nos investidores. Hoje, não há clareza nem confiança nos números que são apresentados pelo governo. É que tem sido chamado de alquimia fiscal ou contabilidade criativa, que disfarça números. Hoje há um peso excessivo dos bancos estatais na condução da economia. Apostou-se durante esse período apenas no crescimento pela via do consumo, com a oferta de crédito farto. Isso foi importante e se justificava até certo momento. E não se pensou no outro campo: da atração de investimentos para ampliarmos a oferta no Brasil. Infelizmente, vamos repetir, neste ano, um crescimento pífio. Vou dar um número que talvez surpreenda a muitos. No período da presidente Dilma, incluindo este ano, enquanto o Brasil cresceu 1,8%, em média, a América do Sul como um todo cresceu mais de 5%. O Brasil virou o patinho feio da história. A responsabilidade do PSDB é recuperar aquilo que nós construímos lá atrás, a bendita herança do governo FHC, que tem sido jogada fora pela incompetência do governo do PT.

Esse economês não seria de difícil assimilação para o perfil do eleitor que o senhor deve buscar para ser eleito presidente?

Isso não é economês, estou respondendo às suas perguntas (risos). Mas vamos ter tempo para tudo. Temos que falar de economia, não temos que temer o debate em nenhum campo. Temos que falar das políticas sociais. Vamos falar das questões que ocorreram em Minas Gerais. Acho que vamos ter tempo para mostrar com muita clareza para o Brasil, que, em benefício do nosso futuro, da recuperação do crescimento da nossa economia, da melhoria da qualidade da educação e da saúde e de mais investimento em segurança, o governo e esse ciclo do PT precisam ser encerrados. Vamos ter tempo de discutir todos os assuntos e em todos os campos: da economia, dos avanços sociais, da infraestrutura, já que o governo do PT transformou o Brasil num grande cemitério de obras inacabadas, de obras abandonadas. Eu tive a oportunidade de viajar por várias regiões do Brasil, recentemente, Centro-Oeste, Norte, Nordeste e até no Sul, e vi o dano que a falta de planejamento trouxe ao Brasil. Inclusive, esse é um tema. Recuperar o planejamento é essencial para o Brasil.

Vamos falar um pouco de política mineira. Qual o nome dentro do seu grupo político que o senhor defende para ser candidato ao governo de Minas Gerais em 2014?

Eu não defendo um nome. Eu defendo a coesão do nosso grupo político. A vitória em Minas Gerais tem sido de um modelo de gestão que o Brasil inteiro respeita e que é considerado referência por organismos internacionais, como o Banco Mundial, porque alia transparência à eficiência. Foi isso o que fizemos em Minas Gerais, ao longo dos últimos anos, e acredito que os mineiros vão querer continuar. No tempo certo e esse tempo não chegou, ainda haverá uma convergência natural em torno de algum nome e será esse nome que terá responsabilidade de conduzir as nossas propostas. No tempo certo, o nome vai surgir, como ocorreu no passado. Não temos que nos preocupar agora com índices de pesquisas. Eu me lembro que, neste mesmo período e com essa mesma antecedência em relação à última eleição em 2010, naquele fim de 2009, o governador Anastasia não tinha sequer 5% nas pesquisas. E venceu a eleição em primeiro turno. E vai acontecer novamente, porque os mineiros não vão querer colocar em risco as conquistas que obtivemos até aqui.

O que senhor vislumbra para o futuro político do governador Anastasia?

Ele ainda terá, a meu ver, contribuições importantíssimas para Minas e para o Brasil. Caberá a ele essa decisão: se conclui o mandato ou se vai sair candidato ao Senado. Mas, em qualquer que seja a alternativa, o projeto nacional do PSDB não abrirá mão do talento daquele que é, na minha avaliação, o mais preparado gestor público brasileiro. Reconhecido, inclusive, por outros administradores de outras partes do Brasil. É preparado, ético e com tamanho espírito público.

O que o senhor sugeriu a ele?

(Risos). Não cabe a mim sugerir. Vamos deixar que as coisas caminhem com naturalidade. Nenhuma candidatura será imposta. As candidaturas que conduzirão os processos nesse grupo acontecerão naturalmente. Estarão em Uberlândia muitos nomes ventilados para disputar a eleição e terão oportunidade nesta segunda-feira (hoje) de dialogar com as nossas lideranças na região (do Triângulo Mineiro). Vai aflorar e surgir, no momento certo, o nome mais qualificado. O nosso projeto em Minas não é personalista, não é em torno de um nome. É em torno das garantias das conquistas que tivemos até aqui e da continuidade dos avanços. Isso é que nos levará, estou certo, mais uma vez à vitória. No início do ano que vem é previsível que esse quadro já esteja, razoavelmente, definido.

Para alguns analistas políticos, a ida da ex-ministra Marina Silva para o PSB mirou o PT, mas acabou atingindo o ninho tucano e que a filiação dela no partido seria mais prejudicial à candidatura do senhor ou de, eventualmente, algum outro candidato do PSDB do que da presidente Dilma Rousseff (PT). Qual a avaliação do senhor para esse raciocínio?

Acho que é um raciocínio que peca pela superficialidade e por não estar atento à realidade. O que existe hoje no quadro eleitoral? Além da oposição que é hoje expressa pelo PSDB e pelos nossos aliados. Agora, já temos, no campo oposicionista, dois ex-ministros do ex-presidente Lula. Tanto o governador Eduardo Campos (PSB de Pernambuco) como a ex-ministra Marina foram aliados do PT. No momento em que eles vêm para a oposição, eu tenho que saudar isso como algo extremamente positivo. Duvido que o governo esteja comemorando a perda destes dois atores políticos. Portanto, o que existe hoje é o fortalecimento claro do campo oposicionista. Vamos apresentar as nossas propostas e estou convencido que o PSDB pela clareza dessas propostas, pela grande capilaridade que tem no Brasil, pela força que tem em Minas e São Paulo, no Paraná, em Goiás, pela recuperação que tivemos no Nordeste nas últimas eleições, vencendo a grande maioria das prefeituras das capitais, além da presença sempre sólida no Sul e no Centro-Oeste, é que terá condições de ir para o segundo turno. E quem for para o segundo turno com a atual presidente da República vencerá as eleições.

O que embasa essa projeção do senhor?

As pesquisas mostram uma única questão que para mim é relevante neste momento. Todas mostram que mais de 60% da população brasileira não quer votar na atual presidente da República. Não obstante ela ter 100% de conhecimento, uma mídia e uma exposição permanente, utilizando até de forma abusiva a cadeia nacional de rádio e televisão para fazer propaganda de ações do governo, mais de 60% da população percebe que esse ciclo tem que ser encerrado.

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