Gírias e boas atuações foram desafios para dubladores de “Breaking Bad”

Jesse Pinkman (Aaron Paul) and Walter White (Bryan Cranston) - Breaking Bad - Gallery - Photo Credit: Frank Ockenfels/AMC
Jesse Pinkman (Aaron Paul) and Walter White (Bryan Cranston) – Breaking Bad – Gallery – Photo Credit: Frank Ockenfels/AMC

Premiada e cultuada por fãs no mundo inteiro, “Breaking Bad” chamou a atenção no início do mês por outro motivo que não os prêmios que levou no Globo de Ouro e no SAG Awards. Estreante da Record, na qual passou a ser exibida a partir do último dia 14, a série sobre o traficante de meta-anfetaminas Walter White (Bryan Cranston), virou assunto por conta de sua dublagem.

Em meio a críticas e elogios, a versão em português da atração despertou a curiosidade dos fãs. Afinal, todos queriam saber como ficariam as traduções de seus bordões marcantes. Um dos mais lembrados pelos fãs, o “Yeah, bitch” de Jesse – dito por seu intérprete Aaron Paul até no palco do Globo de Ouro – virou um sonoro “Aí, vadia”.

A voz por trás de Jesse na versão brasileira, o dublador Felipe Zilse elegeu a tradução como sua favorita entre todos os bordões do personagem e contou que vários fatores tiveram de ser considerados na hora de escolhê-la. “O ‘aí, vadia’ foi uma adaptação minha e do diretor. Tivemos que levar em conta que ele abre bastante a boca pra falar, para parecer que ele está falando o português. Lógico que é impossível ficar perfeito, mas a gente tenta chegar o mais perto possível”, contou Felipe.

Felipe revelou que os dubladores chegam a receber um texto com a tradução de suas falas, mas costumam fazer adaptações levando em consideração o personagem: “Muitas das gírias que estavam lá quem colocou fui eu. A gente adapta bastante, até para ficar mais jovem”.

Dizendo-se acostumado com personagens “meio malandrinhos” e com o linguajar mais agressivo de Jesse, o dublador destacou que sua maior preocupação foi a boa atuação de Aaron Paul. “Sabia que tinha um desafio porque o cara é bom para caramba. A interpretação tem que chegar o mais perto possível da dele, porque às vezes você acaba a atuação de um cara de fora fazendo uma dublagem ruim. Você vê o cara se emocionando e você tem que se emocionar junto. Ele chorava na tela e eu chorava junto”.

Outro personagem que requereu uma dublagem mais cuidadosa foi Walter Jr., interpretado por RJ Mitte. Na produção, o filho de Walter White tem paralisia cerebral, condição da qual o próprio ator sofre, em grau menos acentuado. Coube ao dublador Thiago Longo o desafio de colocar essa nuance na versão brasileira, sem cair em exageros.

“Tentei pensar em uma forma que mostrasse esse problema, mas que não ficasse caricato e que desse para o espectador entender”, disse Thiago, acrescentando que logo encontrou o melhor jeito para fazer a voz: “Coloquei a língua entre os dentes, no canto, não fechando totalmente a boca. No começo, não saía, eu mordia muito a língua, mas deu certo”.

Há 14 anos trabalhando como dublador, Thiago, hoje com 26, revelou que “Breaking Bad” acabou sendo seu trabalho mais difícil por conta dessa particularidade do personagem. “Eu considero que esse é o meu trabalho mais difícil, porque geralmente a gente fala corretamente. A gente está acostumado a falar do jeito ‘certo’ e tem que fazer ‘errado'”, analisou.

Trabalho para dublar o ator

Conhecido como a voz brasileira de atores como Jason Statham, Mel Gibson e Kevin Costner no cinema, o dublador veterano Armando Tiraboschi acrescentou outro nome ao seu currículo: o do premiado Bryan Cranston, o protagonista Walter White.

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