Davi Ribeiro/Folhapress
Davi Ribeiro/Folhapress

Um projeto que será lançado nesta quarta (2) pelo governo do Estado de São Paulo pretende mudar a forma de cuidar dos pacientes com Aids, hierarquizando o atendimento de acordo com o grau de gravidade.

Hoje, oito pessoas morrem por dia no Estado por complicações da doença. Muitas das mortes são atribuídas a falhas de assistência que se repetem em todo o país, como a falta de programas de prevenção, de profissionais qualificados e de leitos hospitalares.

Na Grande São Paulo, por exemplo, um paciente demora até quatro meses para conseguir agendar uma consulta em serviço especializado.

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A nova rede de assistência à Aids terá investimentos de R$ 30 milhões por ano. Na atenção primária, o programa prevê melhorias nas ações de prevenção, especialmente entre a população mais vulnerável, como moradores de rua e usuários de droga.

“É aí que se concentra o maior número de mortes. Eles não aderem ao tratamento”, diz o infectologista Caio Rosenthal, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Segundo o secretário de Estado da Saúde, David Uip, o maior impacto será na reorganização hospitalar para o atendimento das complicações da Aids. Estudos mostram, por exemplo, que 33% desses doentes podem ter câncer, o que aumenta a necessidade de internação.

REDE DE HOSPITAIS

A nova rede hospitalar terá três tipos de unidades.

As de alta complexidade deverão tratar casos de câncer, fazer transplantes e cirurgias, como a que corrige a lipodistrofia (efeito colateral dos remédios que causa excesso de gordura).

Os hospitais estratégicos cuidarão das infecções oportunistas e de outras complicações. Já os hospitais de apoio vão “ajudar” os dois.

“Muitas vezes, o paciente com Aids tem toxoplasmose cerebral e precisa de hospital de alta complexidade. Mas, depois que estabiliza, pode ir para um hospital de apoio e continuar recebendo as medicações”, explica Uip.

Hoje, porém, o atendimento hospitalar está concentrado na alta complexidade, o que sobrecarrega o sistema, levando à falta de leitos.

A rede de Aids vai se ligar à rede oncológica do Estado, com 78 hospitais, e ao programa Recomeço, que cuida de dependentes químicos.

Para Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de ONG/Aids, a falta de programas de prevenção é um dos grandes gargalos do sistema. “Muita gente ainda está se infectando e o diagnóstico é tardio.”

Nesta quarta (2) será inaugurada a nova Casa de Aids, em Pinheiros. Atenderá doentes do Emílio Ribas e da antiga casa da rua Frei Caneca, fechada há dois anos.

No local, haverá atendimentos médico, psicológico e de serviço social, além de testes rápidos de HIV. 


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