Lídia Freire – Repórter

 Especial para o CORREIO DE UBERLÂNDIA

Leonilda dos Santos Costa tem saudade dos jantares em que ia com o marido, o jornalista Marçal Costa, nos clubes da cidade (Foto: Celso Ribeiro)
Leonilda dos Santos Costa tem saudade dos jantares em que ia com o marido, o jornalista Marçal Costa, nos clubes da cidade (Foto: Celso Ribeiro)

Aos 80 anos, Leonilda dos Santos Costa, viúva do jornalista Marçal Costa, mantém-se serena e sorridente ao falar dos bastidores da notícia que ela viveu por 36 anos, uma fase que foi marcada, principalmente, pelas muitas festas que ela frequentava com o marido repórter, que revolucionou o jornalismo uberlandense. Este é um dos aspectos de que ela sente falta. ”Íamos a muitas festas. Foram muitas noites memoráveis”, afirmou.
Vivendo ainda na vizinha Uberaba, Leonilda Costa conheceu o futuro marido aos 18 anos, em frente ao antigo Cine Royal. “Houve um incidente, ele foi ver o que tinha acontecido e trocamos olhares”, disse, se referindo a Marçal Costa, que morreu em junho de 1986.

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Já casada, ela veio para Uberlândia com o marido e seu primogênito a convite de João de Oliveira, proprietário do jornal “O Repórter”, e do ex-prefeito Geraldo Ladeira (mandato de 1959-1962). Nos anos seguintes, se dedicou a apoiar o marido e a cuidar dos quatro filhos que teve. “Não tivemos posses, mas éramos muito queridos”, disse. Ela fala com saudade dos jantares nos clubes da cidade.

Sua casa também era ponto de encontro de amigos. Marçal Costa havia fundado o Grupo Evolução com a intenção de reunir amigos e intelectuais. “Eram encontros marcados por histórias, poesias e descontração.” Segundo a professora e ex vereadora Martha Pannunzio, o historiador Antônio Pereira e os jornalistas Ademir Reis e Celso Machado que frequentaram sua casa.

Leonilda Costa foi casada por 36 anos, tempo em que acompanhou toda a trajetória da carreira do marido e esteve nos bastidores das notícias de Uberlândia, entre as décadas de 1950 e 1980. ”Ele me chamava de ‘Leona, a flor e amor’ e me presenteava com botões de rosa e poemas.”

Dos quatro filhos do casal, nenhum optou por seguir a carreira jornalística. “Dois fizeram Direito, uma se tornou professora e outro foi empresário no ramo gráfico”, disse. Além do esposo, Leonilda Costa já se despediu de dois dos filhos. “A vida é assim. Mas ainda estou aqui”. Ela fala com orgulho da extensão de sua família: 13 netos e 16 bisnetos.

Da morte diz não ter medo. “Até lá desejo que todos cresçam com saúde e cultura”, afirmou a aposentada, que não gosta de ver novelas nem filmes. “Adquiri o costume de ver noticiários.”

Viagem

Leonilda Costa fala com entusiasmo de uma viagem que fez para visitar o neto mais velho, que reside em Boca Raton (Flórida), nos Estados Unidos e compara a cidade com Uberlândia. “Lá é limpo e as pessoas são educadas. Sinto falta da limpeza que Uberlândia tinha antigamente”, disse. Ela ainda explica que aderiu aos cabelos brancos em virtude da viagem. “Lá a terceira idade é respeitada e os idosos não pintam o cabelo. Adotei a ideia.”

Histórias

O acervo de troféus e textos de Marçal Costa tem um cômodo à parte na residência de Leonilda Costa. Entre tantos papéis, dois são especiais. “Tenho duas missões deixadas em vida pelo Marçal. Ainda faltam completá-las”, disse, se referindo a uma música, intitulada “Alma de Palhaço”, que o jornalista escreveu e pediu para que fosse entregue ao cantor Agnaldo Timóteo, e um poema com o título “VI Cantos de Dona Beja”, que ela pretende doar para o acervo histórico de Araxá (MG).


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