Novela: Usinas do grupo João Lyra instaladas no nordeste serão vendidas para quitar dívidas

CAPINÓPOLIS, PONTAL DO TRIÂNGULO MINEIRO – Mais um capítulo da história do grupo João Lyra foi contado na tarde desta quinta-feira (17) na assembléia de credores que aconteceu em Coruripe-AL. A história, que mais parece uma novela mexicana parece estar chegando ao fim e uma assembléia de credores da massa falida Laginha Agroindustrial S/A foi retomada após o último cancelamento ocorrido no início do mês.

Após apresentação de um plano de recuperação, ficou estabelecido que  três ativos irão a leilão nos próximos meses: o escritório central, na praia de Jacarecica em Maceió, avaliado em R$ 15 milhões; a usina Laginha, de União dos Palmares, avaliada em R$ 317 milhões e a  usina Guaxuma, de Coruripe, avaliada em mais de R$ 900 milhões.

A venda dos ativos foi aprovada pelos credores e o valor montante será utilizado para quitar dívidas do grupo, incluindo dívidas trabalhistas avaliadas em cerca de R$ 200 milhões. Ao todo, as dívidas do grupo falido ultrapassam R$2 Bilhões.

O restante do grupo será gerido por uma empresa contratada e especializada em gestão de massa falida, que receberá cerca de R$ 150 mil mensais mais 3% de taxa de sucesso. Segundo informações, a empresa tem larga experiência em administração de massa falida.

Segundo o jornalista alagoano Edivaldo Júnior, os administradores judiciais apresentaram um plano de recuperação e de pagamento que foi aprovado pela a Assembléia. Os credores também decidiram manter o administrador judicial, Carlos Benedito de Lima Franco e o gestor das atividades provisórias, Felipe Olegário de Souza, em seus cargos. Todas essas decisões ainda precisam ser homologadas pelo juiz da Comarca  de  Coruripe, explica o advogado Everaldo Patriota, que representa um grupo de pequenos credores.

Tadeu A. de Lyra, 58, sobrinho do deputado federal João Lyra, que recentemente acusou o tio de desvio de dinheiro do grupo, disse ao repórter Eder de Souza que as usinas Vale do Paranaíba, instalada em Capinópolis e Triálcool em Canápolis serão geridas pela empresa contratada para administrar a massa falida.

O Jornal Tudo em Dia entrou em contato com Tadeu Lyra que afirmou não saber se as atividades das usinas instaladas no Pontal serão retomadas imediatamente, mesmo com a gestão da empresa responsável pela massa falida. Segundo Tadeu, é necessário que os credores mineiros fiquem atentos para que não haja favorecimentos aos credores alagoanos – “É preciso marcar em cima para que não haja favorecimento aos credores de Alagoas. É minha opinião”, finalizou.

A crise do grupo JL vem se arrastando há vários anos, mas a situação ficou mais grave no final de 2013, quando salários foram atrasados e as atividades comprometidas. Mesmo ciente das dificuldades geradas pela falta de pagamento aos colaboradores e credores, recentemente o empresário João Lyra chamou de “vândalos” os funcionários que fazem manifestos em busca do simples direito de receber.

Este é o maior passo dado até o momento para solucionar o impasse entre credores e o grupo JL, pontuando os capítulos finais desta novela mexicana, que muitos esperam que tenha um final feliz.

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