Lorenzo Richelmy (ao centro), que vive o explorador Marco Polo
Lorenzo Richelmy (ao centro), que vive o explorador Marco Polo

Dezenas de corpos empalados surgem em meio à fumaça. Uma camponesa chinesa, sobrevivente do massacre cometido pelos mongóis, interpela a caravana de viajantes europeus que chegam desavisados. “Isso é obra do bárbaro rei diabo”, ela afirma.

Com uma trama violenta, repleta de intrigas políticas e alta voltagem sexual, “Marco Polo”, que estreia nesta sexta (12), é a ponta de lança da Netflix para conquistar o mundo.

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A série é a produção mais cara da história desse serviço de vídeos sob demanda via internet: só os dez episódios da primeira temporada custaram US$ 90 milhões (cerca de R$ 232 milhões).

É também a primeira grande tacada internacional da empresa. Além de produzir o épico, a Netflix também será dona dos direitos globais de exibição de “Marco Polo”, o que não ocorreu com outros dos produtos bem-sucedidos da empresa, caso do thriller político “House of Cards”.

Nada mais natural, portanto, que a história seja palatável ao Ocidente e ao Oriente: no século 13, o mercador veneziano Marco Polo (1254-1324) foi o primeiro europeu a produzir relatos detalhados sobre rincões da China e da Índia, até então desconhecidos da cristandade medieval.

“Marco Polo” descreve a longa viagem e a estadia do veneziano na corte do imperador mongol Kublai Khan, descendente do conquistador Gêngis Khan, a quem o mercador europeu serviu por quase 20 anos, vagando por seu vasto império oriental.

Quem vive o personagem-título é o italiano Lorenzo Richelmy, que até então só havia participado de produções em cinema e TV na Europa.

“Quando soube que planejavam esse seriado, pensei: não escalem um americano para vivê-lo'”, conta à Folha o galã de 24 anos, que passou sete meses em locações por Itália, Cazaquistão e Malásia. Ele afirma que teve de enfrentar seis semanas de aulas de inglês, montaria e kung fu.

CARGA ERÓTICA

Artes marciais se espalham por cenas da série. Numa delas, a concubina Mei Lin (Olivia Cheng) trava combate de kung fu com três soldados estando totalmente nua.

O forte teor erótico da nova série, aliás, remete a outro sucesso, o épico de fantasia “Game of Thrones”, da HBO.

“Mas nenhuma cena de nudez ou de sexo é gratuita”, ressalva o coprodutor-executivo e roteirista Patrick Macmanus. “Nos textos originais, Marco Polo não descreve só lugares, mas fala de mulheres e de posições sexuais que até então não conhecia”, diz.

Para Macmanus, é o ingrediente familiar que renderá audiência à série. “As proporções são grandiosas, mas, no fundo, é um garoto que busca conhecer o pai.” Marco Polo só foi apresentado ao progenitor na adolescência, quando a família partiu para o Oriente.

“E o seriado também contará com o carisma de Richelmy”, completa o produtor.

Apesar da carreira ascendente, o ator, que passou a infância viajando com a família pela Ásia, diz não ter planos de viver em outros lugares, diferentemente de seu personagem. “Quero ficar em Roma para o resto da vida.”


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