O bancario Guilherme Torcioni Nunes, 25, que usa coque no dia-a-dia para prender os cabelos / Foto: Fábio Braga
O bancario Guilherme Torcioni Nunes, 25, que usa coque no dia-a-dia para prender os cabelos / Foto: Fábio Braga

Penteado tradicionalmente usado pelas mulheres, os coques agora conquistaram as cabeças masculinas.

Ele surge como resultado de duas tendências de moda diferentes: o visual “lumberman”, lenhador, popular nos Estados Unidos; e o estilo “grown up”, algo como “deixei meu cabelo crescer”, que vem com força da Europa.

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O barbeiro e sócio-proprietário da barbearia 9 de Julho, em São Paulo, Anderson Napoles, explica que muitos dos coques nasceram de um corte ainda bastante popular entre os homens: cabelo com a lateral mais baixa, ou até raspada, e com o topo da cabeça mais comprido, ajeitado com pomada e usado normalmente para trás.

Esse cabelo foi ficando cada vez maior e o pessoal foi prendendo, para que não atrapalhasse.

A contribuição lenhadora para o visual está na barba, que quase sempre acompanha o coque. “É a solução para o homem que quer usar o coque e manter a aparência rústica, que está na moda”, diz Daniel Carvalho, hairstylist do Retrô Hair.

A barba ainda ameniza, segundo o professor de história da arte e história da moda da Faculdade Santa Marcelina João Braga, um possível olhar preconceituoso para o coque, inserindo um código visual de masculinidade.

A popularização do penteado, segundo Braga, procede com a realidade do nosso tempo. “A moda passou a ser completamente descontraída, e as pessoas estão menos preocupadas em relação ao gênero”, diz.

Daniel Carvalho aposta na tendência. “Atendo clientes aqui no salão que estão deixando o cabelo crescer para poder usar o coque”, conta. Até lá, tem que ter paciência.

Arte / Editoria da Folha
Arte / Editoria da Folha

CUIDADOS

“Sou eu quem corto meu cabelo, então a decisão de deixar crescer para usar o coque não foi difícil. Até me poupou trabalho”, conta Guilherme Nunes, 25, que usa coque há aproximadamente cinco meses.

Ele diz que, mesmo trabalhando em um ambiente formal –Guilherme é bancário–, nunca pediram a ele que mudasse o penteado.

Rodrigo Fernandes, 21, projetista, não encontrou a mesma compreensão. “Nunca me disseram, mas você sente nos olhares meio tortos e nos comentários mais ácidos –mas essa reação é com tudo que é diferente, como piercing, tatuagem.”

Ele, porém, não se importa. “A partir do momento que a empresa começar a me julgar pela minha aparência e não pelo meu trabalho, não vou querer ficar mais lá.”

O visual pode até remeter a uma ideia rústica, de zero vaidade, mas, na verdade exige atenção de seus adeptos. “As mulheres vêm se arrumando para parecerem completamente naturais, mas se você dissecar isso, vai ver que tem um monte de produto ali. Com os homens é a mesma coisa”, diz Daniel.

O profissional recomenda o corte nas pontas a cada 30 dias, para manutenção e uso de xampus e condicionadores hidratantes.

A barba também exige manutenção. Alex Pires, do Retrô Hair, aconselha uma visita quinzenal ao barbeiro para aparar os fios mais rebeldes e o uso de condicionador nos pelos do rosto.

Além disso, ele recomenda a secagem com secador, com o ar direcionado para baixo, para que a barba fique alinhada.


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