O VENDEDOR DE PASSADOS | CRÍTICA

O VENDEDOR DE PASSADOS (2015)
O VENDEDOR DE PASSADOS (2015)

Com uma variedade de produções voltadas para comédia, não é comum um suspense brasileiro chamar a atenção do público. Longas recentes do gênero, como o ótimo O Lobo Atrás da Porta (2014) e Isolados (2014), voltaram a trazer algum destaque aos thrillers nacionais. Nesta onda, o diretor Lula Buarque de Hollandatraz a adaptação de O Vendedor de Passados, livro homônimo do angolano José Eduardo Agualusa.

A premissa é interessante. Lázaro Ramos interpreta o protagonista Vicente, um homem solteiro que vive para aproveitar sua vida do melhor jeito que lhe convém, sempre equilibrando com sua dedicação ao trabalho. Trabalho este, no mínimo, curioso. Ele é um vendedor de passados, indivíduo que ajuda pessoas infelizes/decepcionadas com seus feitos durante os anos e que buscam recomeçar do zero. Álbuns de fotos são criados e histórias novas são inventadas para se apresentar uma nova identidade. Em um destes serviços, o protagonista conhece a personagem de Alinne Moraes, uma moça que mantém em segredo até mesmo o seu nome verdadeiro e busca uma novíssima vida, com apenas uma condição: seu novo eu precisa ter cometido um crime.

O grande mérito no roteiro de Isabela Muniz  é prender o espectador do início ao fim, mantendo os mistérios de Vicente e Clara (nome da identidade nova da personagem) durante os os três atos. Mas são tantos segredos que, no fim, soa um pouco exagerado. É válido que algumas respostas fiquem no ar para causar apreensão, mas a história se perde em meio a tantas reviravoltas. A salada de mentiras e verdades afasta a possibilidade de se envolver de fato com trama. Fica difícil manter o interesse pelos personagens sem que pistas sobre suas histórias sejam reveladas.

Outro exercício muito bem utilizado são os registros do passado. As imagens de documentários antigos são excelentes, assim como usar os acontecimentos na ditadura argentina para criar a história de um dos clientes de Vicente. O interesse do protagonista por artigos de época é outro exemplo, quando Hollanda apresentar cartas do mundo real escritas por um casal apaixonado da década de 50, mostrando ao público a paixão do herói pelo seu modo de vida – quando ele mesmo usa suas habilidades para criar outros passados para si.

No fim, a proposta de Buarque é bem apresentada, usando elementos bem escolhidos e um trabalho estético elogiável – mesmo com algumas falhas no roteiro. A mensagem é clara: onde mora a verdade? Questionamentos que pessoas se fazem todos os dias com relação aos amigos, familiares e mídias. “Você acredita em tudo que te falam“, é o aviso que fica ao final do filme.

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