Uberlândia perde mais de mil postos de trabalho em julho

Segundo Thiago Ávila, com o tempo, o setor de serviços sente os efeitos de cortes dos consumidores (Foto: Marcos Ribeiro 17/01/2014)
Segundo Thiago Ávila, com o tempo, o setor de serviços sente os efeitos de cortes dos consumidores (Foto: Marcos Ribeiro 17/01/2014)

Com 1.026 postos de trabalho fechados, o mês de julho teve o pior saldo de empregos do ano em Uberlândia, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado, ontem, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O último mês foi o pior julho na cidade desde 2003, ano que tem o resultado mais antigo disponibilizado pelo sistema do Caged. O setor de serviços, que há dois meses tinha os melhores resultados, foi o de pior desempenho em julho no comparativo com junho de 2015. Uberlândia seguiu o resultado nacional, uma vez que em todo o País, quase 158 mil vagas formais foram fechadas. Foi o pior resultado para o mês da série histórica, iniciada em 1992.

No último mês houve a admissão de 9.010 empregados no Município, mas, no mesmo período, 10.036 pessoas perderam os empregos, o que gerou o quadro de pouco mais de mil novos desempregados. O pior mês, em 2015, anteriormente, havia sido junho, quando 797 vagas haviam sido extintas. No acumulado do ano, o saldo negativo de geração de emprego mais que dobrou com o resultado mais recente, passando de 651 para 1.661 vagas fechadas.

Dos oito setores listados pelo Caged, a administração pública foi a única que teve mais contratações que desligamentos, com 12 novos postos criados. Na outra ponta, o setor de serviços foi o que mais demitiu e teve saldo negativo de 384 vagas. O desempenho desta área chamou a atenção porque o fechamento de vagas cresceu 3.100% em um mês. Em junho, o saldo tinha sido negativo de 12 postos de trabalho.

Entre março e maio, o setor de serviços esteve entre os que mais empregou, enquanto os demais mostravam queda nas contratações. “Este setor tende a ser último a sofrer cortes porque alguns serviços são essenciais. Mas, com o tempo, ele sente os efeitos de cortes dos consumidores”, disse o economista Thiago Ávila. A construção civil, com o fechamento de 315 postos de trabalho foi a segunda no ranking dos piores desempenhos em julho na cidade. O comércio veio em seguida, com saldo negativo de 163 vagas.

Novo cenário

As empresas que promovem cortes no quadro de empregados fazem reciclagem da mão de obra, segundo o diretor de uma empresa de recrutamento, Hegel Botinha. Isso significa, ainda de acordo com o executivo, diminuir a força de trabalho e manter funcionários com melhor rendimento e que podem desempenhar mais funções, além de terem maior qualificação.

“Antes, a empresa colocava nas suas estruturas profissionais quem nem sempre atendia a todas as necessidades, com o objetivo de formar e treinar. Fazia isso devido à necessidade de crescimento. Mas, isso não acontece mais. É preciso fazer mais com menos”, disse Botinha.

Mais resultados

Em todo o Brasil, 157.905 vagas formais de emprego em julho foram fechadas, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Foi o pior resultado para o mês desde 1992 e o quarto mês seguido de retração em postos de trabalho. No acumulado de 2015, 494.386 empregos foram extintos no País. A indústria de transformação foi a responsável pelo maior número de vagas fechadas em julho, tendo saldo negativo de 64.312 postos.

Estado

Minas Gerais teve o quarto pior desempenho no País na geração de empregos em julho. Com o fechamento de 16.712 vagas, o Estado está atrás de Rio Grande do Sul (-17.818 vagas), Rio de Janeiro (-19.457 vagas) e São Paulo (-38.109 vagas).

Dados Caged – Geração de empregos

Julho de 2015
-1.026 vagas
Pior saldo do ano

Acumulado do ano
-1.661 vagas

Setores com o pior desempenho em julho
Serviços
-384 vagas
Construção Civil
-315 vagas
Comércio
-163 vagas

Brasil

-157.905 vagas
Pior resultado em julho desde 1992

Minas Gerais
-16.712 vagas

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