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ITUIUTABA, TRIÂNGULO MINEIRO – Em dezembro de 2013 iniciava-se uma nova jornada na Assistência em saúde de Ituiutaba com a implantação de uma unidade de CAPS II, hoje conhecida como CAPS Tio Doc. De lá para cá, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) ganha cada vez mais terreno e anuncia profundas mudanças no eixo da Atenção em Saúde Mental da Microrregião.

A lei 10.216 de 2001, no primeiro parágrafo do Art IV, preconiza o seguinte: “O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do paciente em seu meio”. A portaria 3088 de 2011 do Ministério da saúde, que instituiu a Rede de Atenção Psicossocial, esclarece também que os profissionais devem se orientar nos princípios da liberdade e da autonomia na condução de casos de portadores de transtorno mental grave e transtornos decorrentes do uso de drogas.

Promover liberdade e autonomia para pessoas que sofrem de alguma enfermidade mental exige da sociedade e do poder público uma progressiva mudança de pensamento.  A reinserção do indivíduo no meio não é uma via de mão única na qual o paciente deve dar conta dos padrões exigidos. O portador de transtorno mental tem direitos e deveres como qualquer outro cidadão. Portanto, essa inclusão deve ser facilitada. E isso é papel de todos.

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Ituiutaba amplia Rede de Saúde Mental

O primeiro passo é compreender e admitir que tratar significa muito mais do que ir ao médico e tomar remédios. Tudo aquilo que faz bem para a saúde faz parte do tratamento. Faz bem para saúde praticar esportes, desfrutar de lazer, aprender artesanato, se alimentar bem, participar de grupos, cantar, dançar, namorar, etc. E a criação de estratégias que viabilizem a produção do cuidado em sua plenitude depende do envolvimento de vários setores que precisam tentar trabalhar em conjunto.  E é isso que a RAPS de Ituiutaba e região vem construindo.

Adiante vai um apanhado resumido de todos os atores que, de alguma forma, compartilham e contribuem para a causa da Saúde mental comunitária. São entidades que, ou se envolveram desde o início com o CAPS, ou foram aos poucos oferecendo sua parceria.

Os CRAS Alvorada, Natal, Ipiranga e Brasil disponibilizaram espaço e paciência para o acolhimento de pacientes do CAPS e são os principais parceiros para as atividades externas.

A Atenção Primária atua, através de todos os PSF. Os profissionais dessas equipes, principalmente as agentes de saúde, vêm oferecendo uma importante contribuição na condução dos projetos terapêuticos. Além disso, os PSFs continuam sendo a principal porta de entrada para o CAPS Tio Doc. O NASF tem feito seu papel diretamente e indiretamente, além de ser um parceiro importante na promoção de eventos.

As comunidades terapêuticas também já fazem parte dessa rede, em especial a CTVN (Comunidade terapêutica Vida Nova). Fazem parte também o CREAS, que conhece todos os casos mais críticos, a FUMZUP (Fundação Zumbi dos Palmares), a Promotoria pública (Curadoria da saúde e Curadoria dos deficientes), a coordenação de saúde mental da GRS, a APAE, a ADEFI (Associação de Pessoas com Deficiência de Ituiutaba), a equipe clínica do Presídio, UMS-I, o PAI-PJ, o Corpo de Bombeiros, os cursos de Serviço Social da Unopar e da UFU e o curso de Psicologia da UEMG.

E não se pode deixar de citar a Unidade de Pronto Atendimento de Ituiutaba, nosso conhecido Pronto-socorro, que tem oferecido um grande suporte para a equipe do CAPS. Atualmente, essa rede vem estreitando laços também com o Hospital São José, o qual pode se tornar a principal retaguarda de leitos em um futuro próximo.

Lembrando que o CAPS Tio Doc é regional e isso significa que a demanda de saúde mental das 9 cidades da microrregião do Pontal tem direito de acesso a esse serviço. É por essa razão que, desde 2014, essa rede vem sendo ampliada para as cidades vizinhas que podem contar com o apoio do CAPS para criar estratégias de cuidado dentro de seus territórios. Já está consolidado o esforço e compromisso de Canápolis, Gurinhatã, Santa Vitória e Cachoeira Dourada, que estão ampliando a assistência em saúde mental para seus habitantes.

A fantástica experiência do projeto “Reviver” de Centralina também precisa ser valorizada e divulgada. Recentemente, Campina Verde e Ipiaçu também vêm firmando esse compromisso. Por fim, estima-se que Capinópolis entre também nessa corrente, a partir do ano que vem.


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