Marília Pêra na pré-estreia do musical "Alô Dolly", no qual atuou com Miguel Falabella
Marília Pêra na pré-estreia do musical “Alô Dolly”, no qual atuou com Miguel Falabella

Morreu na manhã deste sábado (5) a atriz Marília Pêra, 72, em sua residência no Rio de Janeiro, segundo informou a assessoria de comunicação da TV Globo. Há dois anos, ela enfrentava um câncer.

O velório será no Teatro Leblon, sala Marília Pêra (Rua Conde de Bernadote, 26 – Leblon), a partir de 13h.

Pêra passava por tratamento de saúde e estava afastada da televisão há cerca de um ano.

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Em seu mais recente trabalho, a atriz interpretava Darlene na série da TV Globo “Pé na Cova”. Todos os episódios da atual temporada e da próxima, prevista para ser exibida em 2016, já estão gravados.

O criador da série, Miguel Falabella, preparava uma nova série que teria Marília Pêra como protagonista. Em “Negócios da Família”, a atriz interpretaria a mulher de um político corrupto que perde todas as mordomias e se transforma em uma viúva negra que mata milionários para ficar com suas fortunas.

Marília Pêra começou a atuar aos quatro anos e fez mais de 50 peças

 

Seu primeiro papel foi o de uma das filhas de Medéia na peça de mesmo nome, de Eurípedes.

Nascida no Rio, em 1943, Marília Pêra atou em mais de 50 peças, quase 30 filmes e cerca de 40 novelas, minisséries e programas de televisão. Também dirigiu, coreografou e produziu espetáculos.

Algumas das principais peças de sua carreira foram “Roda Viva” (1968), de Chico Buarque, “Se Correr o Bicho Pega” (1966), de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, “Onde Canta o Sabiá” (1966), de Gastão Tojero, “A Ópera dos Três Vinténs” (1964), de Bertold Brecht e Kurt Weill e “A Megera Domada” (1967), de William Shakespeare.

Ganhou diversos prêmios ao longo da carreira, como o da APCT (Associação Paulista de Críticos Teatrais), o Mambembe e o Moliére.

Este último venceu três vezes. A primeira foi em 1969, por “Fala Baixo Senão eu Grito”, que também produziu. A segunda, em 1974, por sua atuação em “Apareceu a Margarida”, de Roberto Athayde, e a terceira, em 1984, por “Brincando em Cima Daquilo”, de Dario Fo.

Ao longo da carreira, interpretou mulheres como Carmen Miranda (1909-1955), a cantora lírica Maria Callas (1923-1977) e Coco Chanel (1883-1971).

Na televisão, passou pelas emissoras Globo, Tupi, Manchete e Bandeirantes. Na Tupi, participou do elenco de “Beto Rockefeller” (1968), novela com linguagem revolucionária para a época.

Teve longa história na TV Globo. Participou do elenco que inaugurou a emissora em 1965. Nessa época, viveu Carolina de”A Moreninha” (1965). Foi a personagem Shirley Sexy em “O Cafona” (1971).

No cinema, alguns destaques de sua carreira foram “Pixote, a Lei do mais Fraco” (1980), de Hector Babenco, “Bar Esperança” (1983), de Hugo Carvana, “Tieta do Agreste” (1995), de Cacá Diegues e “Central do Brasil” (1996), de Walter Salles.

Pêra também foi diretora e produtora. Sua peça mais recente foi “Callas” (2014). Produziu “Fala Baixo Senão Eu Grito” (1969), “Apareceu a Margarida” (1973), “Adorável Júlia” (1983) – que também co-dirigiu – entre outros espetáculos.

Também era bailarina e cantora. Dos 14 aos 21 atuou em musicais e revistas como “Minha Querida Lady” (1962), e “O Teu Cabelo Não Nega” (1963), onde fez o papel que repetiria diversas vezes na vida, o de Carmen Miranda.

Dirigiu, coreografou e produziu “O Mistério de Irma Vap” (1986), de Charles Ludlam, que ficou anos em cartaz com Marco Nanini e Ney Latorraca.

No Carnaval deste ano, Pêra foi a homenageada da escola de samba Mocidade Alegre, no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo.

A Mocidade abordou a trajetória e a vida da estrela nacional com o samba: “Nos palcos da vida, uma vida no palco Marília!”.

As alas da escola contaram a história desde o nascimento da atriz e a sua dedicação ao balé até a carreira no rádio, passando pelas suas interpretações marcantes.

FAMÍLIA

Em 1959, a atriz se casou com o ator Paulo Graça Mello, com quem teve um filho dois anos depois, Ricardo, também ator e cantor.

Ela também foi casada com o ator Paulo Villaça, na década de 1970, e com o escritor e produtor Nelson Motta, pai de suas filhas Esperança, nascida em 1978, e Nina, nascida em 1980. Seu último marido foi o economista Bruno Faria, com quem se casou em 1998.

Folha de S. Paulo

 


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