A auxiliar de produção Ketlyn Gabriela Ferreira Costa foi atendida na sala de hidratação (Foto: Celso Ribeiro)
A auxiliar de produção Ketlyn Gabriela Ferreira Costa foi atendida na sala de hidratação (Foto: Celso Ribeiro)

A Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia investiga possíveis casos de zika vírus em sete grávidas e um bebê de quatro meses. Desde o dia 3 de fevereiro, já são 32 casos notificados da doença. Até agora, apenas um caso foi confirmado em uma gestante, após ela viajar para Amazonas. As confirmações serão divulgadas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG).

O número real de casos de zika vírus em Uberlândia pode ser ainda maior, uma vez que, em janeiro, a Vigilância em Saúde do Município não contabilizou as suspeitas da doença, pois ainda não estava estabelecida a obrigatoriedade de notificações pelo Ministério da Saúde. Além disso, em alguns casos, a pessoa infectada não apresenta sintomas.

“Em 80% dos casos, o zika vírus pode ser assintomático. Ainda não sabemos de fato se o vírus em Uberlândia foi importado ou não. Isso só o resultado dos exames vai nos dizer”, disse o diretor da Vigilância em Saúde, Samuel do Carmo Lima.

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Ainda segundo Lima, assim que a Vigilância em Saúde recebe uma notificação, é feito um trabalho específico onde o paciente mora. “Fazemos a aplicação de inseticida para que esse paciente não tenha contato com um mosquito e seus familiares e vizinhos venham a ter a doença. Em um raio de 300 metros da residência, também é feito esse bloqueio químico”, disse.

De acordo com o último Boletim Epidemiológico, divulgado no dia 23 de fevereiro, em 2016, já são 1.424 casos notificados de dengue e 18 de chikungunya. “A cidade ainda não vive uma situação de epidemia, mas precisamos, cada vez mais, combater os focos do mosquito. É a única saída”, disse Lima.

Uso do fumacê em Uberlândia é descartado

Mesmo com os números de notificações de zika vírus, chikungunya e dengue em crescimento em Uberlândi¬¬a, o uso do fumacê foi descartado. Segundo Lima, essa medida é para casos extremos. “Quem define isso é o Estado. Como não estamos em situação de epidemia, vamos intensificar ações de conscientização, principalmente, nas escolas”, disse.

Em 2015, a sala de hidratação para tratamento específico de pacientes com sintomas de dengue começou a funcionar em maio. Neste ano, o atendimento já começou a ser feito nesta quarta-feira (3). A auxiliar de produção Ketlyn Gabriela Ferreira Costa foi encaminhada da Unidade de Atendimento Integrado (UAI) Roosevelt para a Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) do bairro Jardim Brasília, zona norte, onde foi montada a sala de hidratação. “Há cerca de uma semana, fiquei com o corpo todo manchado e, desde ontem, estou com dores pelo corpo. Aqui é um lugar confortável e agora vou aguardar o resultado dos exames”, disse.

Infectologistas afirmam que é preciso cuidado

Por causa das 32 notificações de zika vírus sendo investigados em Uberlândia, a população deve tomar ainda mais cuidado, segundo infectologistas. Em gestantes, a atenção deve ser redobrada, já que doença está relacionada à microcefalia em bebês. “Eu não indicaria para uma paciente adiar ou evitar a gravidez. Acho que o segredo é se proteger e evitar o contato com o mosquito Aedes aegypti”, afirmou o médico infectologista Marcelo Simão Ferreira.

Essa opinião é compartilhada pelo infectologista Romes Rufino de Vasconcelos. “Ainda sabemos muito pouco sobre essa doença. Infelizmente, ela traz transtornos para a gestante, mas é muito complicado indicar a uma paciente que não engravide. Eu não indico”, afirmou o especialista.


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