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A reunião que deveria selar o apoio do PSDB a um eventual governo do vice-presidente Michel Temer (PMDB) acabou desaguando numa reprimenda pública à condução da montagem da equipe ministerial que vai assessorar o peemedebista.

O presidente nacional dos tucanos, senador Aécio Neves (MG), disse que a sigla vê com “preocupação” as negociações em curso por enxergar o “risco” de um eventual governo Temer acabar “muito parecido” com a gestão de Dilma Rousseff.

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A fala ocorreu após encontro da direção nacional da sigla com todos os seis governadores tucanos para definir os termos finais da carta de propostas que a sigla vai apresentar a Temer em troca do apoio parlamentar.

“Houve uma manifestação da preocupação com a forma como o governo Temer vem se constituindo”, afirmou Aécio. “Receamos que se pareça com a gestão que está se encerrando”, concluiu.

Ele ainda reafirmou que, “especialmente os governadores” do PSDB, se sentiriam mais à vontade se o partido optar por dar apenas apoio congressual a Temer, sem ocupar cargos no governo.

Essa posição foi defendida publicamente pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, nas últimas semanas. Nesta terça-feira ( 3), ele se limitou a dizer que “o momento é de esperança e não podemos deixar que se torne de desesperança”.

Após o encontro, Aécio deixou os tucanos para se reunir com Temer no Palácio do Jaburu. Na saída do almoço com Temer, no entanto, Aécio amenizou o tom das críticas e disse que alertou ao vice-presidente que “a primeira impressão é a única que existe”.

“Eu disse ao Temer que, no caso do seu governo, a primeira impressão é a única que existe. É preciso que logo na largada, não apenas na formação do governo, mas também nas propostas, a nova gestão gere esperança e otimismo, o que vem faltando ao país para superar a crise”, disse.

O tucano disse que o partido apoiará congressualmente o eventual governo interino e não irá se posicionar contra a entrada de tucanos na equipe do peemedebista, mas ressaltou que a sigla não irá indicar nomes para a nova gestão.

“Não há necessidade de seguir a lógica da compartimentalização de ministérios a partir do conjunto de partidos que o apoiam. O essencial é que se consiga construir o apoio congressual para que a agenda seja aprovada, porque não há tempo a perder”, disse.

Segundo ele, a eventual administração interina não pode ser uma “simples baldeação” do governo petista para o peemedebista.

“O vice-presidente não tem tempo para errar”, disse. “É importante que ele compreenda que é preciso que nessa largada ele mostre ao Brasil que também as práticas políticas mudaram”, acrescentou.


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