Milton integrava o quadro de docentes da UFTM desde 2010 (foto: foto: Reprodução/Facebook)
Milton integrava o quadro de docentes da UFTM desde 2010 (foto: foto: Reprodução/Facebook)

Mensagens trocadas por meio do WhatsApp entre a advogada Milene Estácio da Silva, 36 anos, e a filha dela, L. E. S., 17, comprovam que as duas arquitetaram o assassinato do professor de física da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Milton Taidi Sonoda, de 39 anos, um mês antes do crime. Os dados foram recuperados pela Polícia Civil de São Carlos, em São Paulo, com autorização judicial. Nos diálogos, a advogada chega a pressionar a filha para que ela amole três facas e pede que ela não a delate caso fosse detida, pois pegaria até 30 anos de prisão.

O corpo de Milton foi encontrado carbonizado às margens da rodovia SP-215, em São Carlos, em 18 de maio, dentro de um carro que também foi incendiado. Ao ser detida, a adolescente afirmou que matou o padrasto com três facadas no abdômen. O homem foi dopado antes do crime. A mãe da garota negou participação no crime e apenas afirmou que a ajudou esconder o corpo.

Porém, as conversas que a Polícia Civil teve acesso comprovam a participação ativa da advogada em arquitetar o assassinato. Elas estavam irritadas com Milton por questões financeiras. O professor estava construindo uma casa em Uberaba e por isso investia dinheiro na nova residência, para onde planejava se mudar com a família. As investigações mostraram que Milene não concordava com essa situação e também tinha assumido uma dívida com dinheiro do marido, o que fez ela optar pela morte dele.
Em um dos diálogos, Milena pressiona a filha para ela afiar as facas que poderiam ser usadas no crime. “Leve a faca afiar. Leve umas 3”, diz a advogada. “Ainda não”, responde a filha. “Aff. Mas vai fechar. Te pedi, né.”, questionou. As falas foram antes de uma primeira tentativa de matar o professor. O crime não aconteceu por falta de coragem da menor.

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As conversas também mostraram a frieza das duas mulheres para cometer o assassinato. A adolescente chegou a dizer que iria se arrumar para as homenagens póstumas do padrasto. Ela chegou a marcar salão para arrumar as unhas, “Já que a gente vai ter enterro”, comentou com a mãe.

Milena se mostrou preocupada em não ser colocada como envolvida com o crime. Ela chegou a pedir para a filha não delatá-la. “Se acontecer da polícia chegar até você, não tenha medo”, diz a advogada. “A polícia, eu não”, respondeu a adolescente. “Mas não põe eu no meio. Eu pegaria mais de 30 anos de cadeia”, disse. “Mas vai dar tudo certo! Deus tem um lugarzinho bom pra ele!”, comentou a mulher em outro diálogo.

Em outra conversa entre mãe e filha, as duas sugerem que poderiam receber algum benefício com a morte do professor. “Tem que dar entrada no INSS logo”, afirma a advogada. “Calma”, respondeu a adolescente. “Para não passar necessidade. Porque vamos ficar sem dinheiro”, completou Milena.

O crime

Segundo a Polícia Civil, ficou claro no inquérito que a mãe instigava a filha a cometer o assassinato, sob o argumento de que era advogada e certamente tiraria a garota da cadeia facilmente por ela ser menor de idade. Milton tinha problemas de saúde e ingeria, sem perceber, medicamentos que poderia complicar sua situação. A expectativa das duas é que ele iria acabar morrendo com essas substâncias, o que não aconteceu. As duas chegaram a ensaiar pelo menos uma vez a morte com facadas, mas a adolescente desistiu. O plano era aproveitar uma carona com o padrasto, em Ribeirão Preto, para consumar o ato na estrada, mas ao perceber que estava sendo bem tratada por ele, desistiu.

No dia 18, a mãe começou os planos dopando o filho de cinco anos, para que ele dormisse. Logo depois, L. acertou o professor com três golpes na barriga e viu ele agonizar até a morte. Segundo a Polícia Civil, a garota afirma ter sentido prazer no momento em que golpeava o padrasto, chegando até a dar risadas da situação. As duas, então, levaram o corpo até uma estrada próxima de São Carlos e chegaram até a cavar uma cova para colocar Milton. Porém, ficaram com medo que o carro pudesse deixar alguma pista, já que o veículo ficou cheio de sangue, e incendiaram tudo.

Carro ficou destruído depois do incêndio (foto: Polícia Civil/Divulgação)
Carro ficou destruído depois do incêndio (foto: Polícia Civil/Divulgação)

Prisões

Milene está cumprindo a prisão temporária de 30 dias, mas, ao fim das investigações, o delegado Gilberto de Aquino deverá representar por sua prisão preventiva. Ela pode pegar até 30 anos de cadeia pelo crime. A adolescente de 17 anos, está apreendida preventivamente por 45 dias, período em que deve sair sua sentença. Nesta sexta-feira, ela foi transferida para a Fundação Casa.

Com informações de EM


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