Volumes produzidos na unidade da BRF em Uberlândia serão reduzidos gradativamente (Foto: Cleiton Borges)
Volumes produzidos na unidade da BRF em Uberlândia serão reduzidos gradativamente (Foto: Cleiton Borges)

REPORTAGEM CORREIO DE UBERLÂNDIA

A empresa de processamento de alimentos BRF vai transferir as operações de fabricação de margarina de Uberlândia. Com o fim do incentivo fiscal que era oferecido pelo Governo de Minas Gerais, a atividade vai migrar para o Paraná. No total, 44 vagas de trabalho serão fechadas.

A reportagem do jornal apurou que a indústria tinha incentivo no pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), concedido pelo Estado, com isenção de cerca de dois terços do imposto, que vigorava desde a instalação da fábrica na cidade, em junho de 2006. Empresa e Governo negociavam desde março de 2015 a manutenção do desconto sobre o ICMS, mas as conversas não foram bem-sucedidas e o grupo achou mais barato produzir em outros Estados, como o Paraná.

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Por meio de nota, a BRF explicou que a mudança decorre de um “processo de reavaliação e otimização de seu parque fabril” e, a partir dessa semana, “os volumes produzidos nessa unidade serão reduzidos gradativamente”, se referindo à fábrica em Uberlândia. O comunicado ainda informou que cerca de 80% dos 220 funcionários que trabalham na fabricação de três marcas de margarinas serão absorvidos em outras operações da companhia, também localizadas em Uberlândia. O processo de transferência levará em consideração a performance dos funcionários. Os outros 20%, ou seja, 44 trabalhadores, serão dispensados.

Na inauguração da planta na cidade, era esperada a geração de aproximadamente 3 mil empregos indiretos. Empresa, Estado e Município não informaram o número atual de trabalhos indiretos gerados pela unidade industrial que foi fechada e teve suas atividades transferidas para o Paraná.

Reflexos

Na avaliação do presidente da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub), Fábio Pergher, existe uma série de perdas para a cidade do Triângulo Mineiro, que vão desde a arrecadação de imposto à geração de empregos, diretos e indiretos.
“A cidade perde o repasse do ICMS do Estado, empresas satélites, que prestam serviços, perdem o cliente, e a própria indústria mexe no quadro de funcionários. Isso é falta de vontade política ou de visão”, disse.

Estado e Município

A reportagem procurou tanto o Governo do Estado quanto o Município para falar sobre os motivos da transferência das operações de fabricação de margarina de Uberlândia para o Paraná determinada pela empresa de processamento de alimentos BRF. O questionamento também abordaria as consequências da saída da empresa da cidade. Em ambos os casos, as assessorias governamentais informaram que o Estado e o Município não iriam se manifestar nesse momento.


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