Sandra Guarnieri tem orgulho de morar no antigo bairro Santa Maria, integrado ao Saraiva (Foto: Cleiton Borges)
Sandra Guarnieri tem orgulho de morar no antigo bairro Santa Maria, integrado ao Saraiva (Foto: Cleiton Borges)

por Ildo Orsolin

UBERLÂNDIA, TRIÂNGULO MINEIRO – A mudança para a cidade grande nem sempre é um conto de fadas. Nascida em Capinópolis – a 165 km de Uberlândia -, a comerciante, consultora e representante têxtil Sandra Salgado Silva Guarnieri, de 51 anos, chegou em Uberlândia com os pais e os quatro irmãos quando tinha apenas 12 anos. Ela demorou a se adaptar, mas, aos poucos, se apaixonou pela cidade e passou a considerá-la seu verdadeiro lar.

A transição para Uberlândia, que aconteceu em busca de melhores oportunidades de vida para a família, não estava nos planos. “Foi uma mudança bem brusca. Meu sonho era ter um baile de debutantes com as pessoas que me viram crescer. Mas isso foi tirado repentinamente de mim. Aqui em Uberlândia, eu não era tão livre quanto na fazenda e demorei a me adaptar”, afirma Sandra Guarnieri.

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Quando chegou à cidade, ela morou durante dois anos no bairro Martins, setor central de Uberlândia. Segundo a comerciante, o amor por Uberlândia começou a crescer logo depois, quando mudou-se para o bairro Copacabana, atualmente integrado ao bairro Patrimônio, na zona sul da cidade. “Lá era como se fosse uma grande fazenda, com poucas casas e o bairro girava em torno de duas empresas maiores. Fiz muitas amizades naquele lugar”, disse.

O lazer ficava por conta de festas conhecidas como brincadeiras dançantes. “As pessoas abriam a garagem, colocavam uma música e pronto. Eu costumava fazer todo fim de semana uma festa dessas na minha casa. Era a nossa diversão. Não tinha barzinho ou balada.”

A medida que o amor por Uberlândia crescia, também aumentava a curiosidade de Sandra Guarnieri pela cidade. “Às vezes, eu pegava um ônibus e não sabia para onde estava indo. Ficava dando voltas por Uberlândia só porque queria conhecer a cidade”, afirmou.

De acordo com ela, na época, utilizar o transporte público era difícil. “Eu tinha que tirar o dia todo para passear assim. Às vezes, para fazer um percurso tranquilo, que hoje você utiliza um ou dois ônibus, antigamente, era preciso pegar quatro e, inclusive, pagar quatro passagens”, disse Sandra Guarnieri.

Após trabalhar como babá e em um escritório para ajudar os pais, aos 22 anos, Sandra Guarnieri, por meio de uma amiga, conseguiu a oportunidade de trabalhar com moda no antigo Ubershopping – que ficava onde atualmente está a Faculdade Politécnica, na rua Rafael Marino Neto, no bairro Karaíba, zona sul da cidade. “Era um lugar muito chique. Ninguém estava acostumado a dar voltas em corredores e ver lojas bonitas. Na minha opinião, o Ubershopping foi o mais bonito de Uberlândia até hoje”, afirmou.

Aos 29 anos, Sandra Guarnieri – hoje com 51 anos – se casou e teve a oportunidade de mudar para outra cidade, mas exigiu continuar no Município onde ela demorou a se acostumar, mas que aprendeu a amar. “Meu marido era de São Paulo, mas eu disse a ele que só casava se continuasse aqui. Uberlândia me marcou muito, porque atendeu a tudo que minha família veio procurar. A cidade sempre esteve do meu lado quando eu precisei”, afirmou.

Depois de casada, ela mudou apenas de bairro: para o Santa Maria, que atualmente está integrado ao bairro Saraiva, na zona sul de Uberlândia, onde mora até hoje. “É o meu bairro do coração. Tenho muito orgulho de falar que moro aqui no Santa Maria há tanto tempo. Tem tudo que eu preciso e espero não mudar daqui nunca mais.”


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