Do Google ao Facebook, história do Yahoo! é marcada por oportunidades perdidas

Os fundadores do Yahoo Jerry Yang, à esq. e David Filo, à dir. no Vale do Silício, nos EUA
Os fundadores do Yahoo Jerry Yang, à esq. e David Filo, à dir. no Vale do Silício, nos EUA

A venda do Yahoo!, que vai deixar de existir como negócio independente após ter sido vendido à operadora Verizon, marca o fim de uma história de oportunidades perdidas. Depois de ter nascido na hora certa, há 22 anos, resolvendo um problema real dos pioneiros usuários de internet, a empresa estava havia quase uma década em busca de alguém que a salvasse.

“Todas as vezes havia uma infusão de euforia e esperança de que talvez desta vez a pessoa certa viria e a companhia finalmente iria para a decisão certa novamente”, resumiu o jornalista Nicholas Carlson no livro “Marissa Mayer and the Fight to Save Yahoo!”, sobre a chegada da atual presidente-executiva da companhia, em 2012.

O Yahoo! foi criado em janeiro de 1994 por Jerry Yang e David Filo, então estudantes da Universidade Stanford, com uma missão um tanto simples, mas importante: catalogar sites legais para ver na internet.

Hoje, se você quer descobrir algo na rede, basta ir ao Google, digitar palavras-chave e ter acesso a uma infinidade de páginas que falam sobre aquele tema. Naquela época, você precisava saber o endereço exato do site, ou não conseguiria encontrá-lo. Os dois jovens, em uma tentativa de criar um banco de dados para uso próprio, começaram a catalogar esses endereços, era o “Guia de Jerry e David para a World Wide Web”.

O repositório acabou se tornando um sucesso, dentro e fora de Stanford, e virou um negócio de nome Yahoo! –na prática, a porta de entrada para o que se podia acessar na internet naquele tempo. O icônico Sequoia Capital, um dos maiores fundos de investimento do planeta, colocou US$ 1 milhão na empresa em troca de uma participação de 25%.

Foi a primeira empresa de internet realmente bem-sucedida. Dois anos depois da fundação, em 12 de abril de 1996, a empresa começou a vender ações na Bolsa com uma avaliação de mercado de US$ 848 milhões. O modelo de negócios era basicamente o mesmo de hoje em dia, o mesmo que fez a Verizon se interessar: atrair tráfego de usuários e mostrar anúncios para eles.

TEMPO PERDIDO

Por muito tempo, foi suficiente. Enquanto via seu faturamento crescer exponencialmente, a empresa foi perdendo a oportunidade de colocar as mãos no que hoje são os maiores negócios do nosso tempo.

Em 1997, os fundadores do Google chegaram a oferecer seu projeto de ferramenta de buscas para a companhia por US$ 1 milhão, mas foram recusados. Hoje, o Google tem valor de mercado de mais de US$ 500 milhões.

Com o Facebook o caso foi um tanto mais grave. Terry Semel, então presidente-executivo do Yahoo!, chegou ao aperto de mãos com Mark Zuckerberg para a compra da rede social.

Pressionado por investidores, Zuckerberg disse que venderia o site por US$ 1 bilhão. O conselho de diretores do Yahoo! autorizou Semel a fazer uma oferta de US$ 1,2 bilhão, mas o executivo quis endurecer a negociação e ofereceu US$ 850 milhões.

Zuckerberg comemorou. Ele tinha prometido ao conselho que aceitaria uma oferta de US$ 1 bilhão –sem ela, poderia manter seu negócio independente.

Em 2008, o Yahoo! ainda rejeitou uma oferta para ser comprado pela Microsoft por US$ 44,6 bilhões, mais de 60% a mais do que seu valor de mercado na época, uma decisão que acabou custando o emprego de Yang como presidente-executivo da empresa. (Neste ano, a companhia fundada por Steve Jobs arrematou a rede social LinkedIn por US$ 26,2 bilhões, mais de cinco vezes o valor da venda do Yahoo!.)

Uma decisão pela qual Yang merece crédito, entretanto, foi seu investimento no Alibaba, o gigante do comércio chinês (no Brasil conhecido principalmente pelo site AliExpress). Em 2005, ele pagou US$ 1 bilhão por 40% do ainda nascente Alibaba. Quando a empresa de e-commerce fez sua estreia na Bolsa em 2014, o Yahoo! ganhou US$ 10,3 bilhão.

VALOR

E ainda hoje o principal fator, às vezes o único, para a avaliação de mercado da companhia americana são os 15% de participação que ainda detém no Alibaba. Os investidores viam mais chances de ganhos futuros com a administração dessas ações do que com qualquer produto que o Yahoo! pudesse lançar.

Na prática, o Yahoo! ainda fatura (US$ 1,08 bilhão no primeiro trimestre deste ano), mas permanece o mesmo. E, em tecnologia, isso é de certa forma um atestado de morte.

Enquanto o Google e o Facebook, que ele poderia ter comprado, criam carros que se dirigem sozinhos ou óculos de realidade virtual, o Yahoo! Ainda permanece, 22 anos depois, como um grande site.

Folha de S. Paulo

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