A PM ainda não tem os dados consolidados de agosto, mas comerciantes relatam reincidências de roubos e furtos
A PM ainda não tem os dados consolidados de agosto, mas comerciantes relatam reincidências de roubos e furtos

Há 20 dias, os proprietários de um empório que funciona há oito meses no bairro Aclimação, zona leste de Uberlândia, foram abordados por três homens armados. Levaram a caminhonete do casal, comprada quatro dias antes do roubo. “Estava ligando para o 190 para registrar a ocorrência, quando fui abordada por outros dois ladrões. Trabalho no comércio desde 1983 e nunca tinha passado por isso”, disse a proprietária, Isaltina das Dores de Almeida.

Uma onda de furtos e roubos a comércios tem desassossegado os empresários do setor. Segundo a Polícia Militar (PM), foram registradas 2.647 ocorrências de subtrações consumadas na cidade, no primeiro semestre de 2016. O número significa um aumento de 8,5% em relação ao mesmo período de 2015. Do total de registros feitos até julho, 75% são de furtos. Entre 2014 e 2015, as ocorrências haviam caído 8,3%.

No dia 8 de julho, um cartório no Centro da cidade foi tomado por três homens armados, que fizeram cinco funcionários e três clientes de reféns e roubaram R$ 4,7 mil, um carro de luxo e dois celulares. “Foi tudo calculado. Nos amarraram na sala dos fundos, bloquearam a porta de entrada e quebraram os telefones. Quando conseguimos chamar a PM, já tinham fugido”, disse a escrevente Cinthia Matias, que depois de recuperado o carro, não teve informações sobre o caso.

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A PM ainda não tem os dados consolidados de agosto, mas comerciantes relatam reincidências de roubos e furtos. É o caso de uma loja de roupas situada no bairro Pacaembu, zona norte, que sofreu o segundo furto no dia 19 de agosto. Naquela data, o estabelecimento foi invadido por dois homens, às 00h50, apoiados por um terceiro que aguardou de fora. “Já sabiam como entrar, porque não arrombaram. Foram direto na câmera de segurança e até um sensor de alarme que ficava sobre a laje danificaram”, disse o proprietário, Rodrigo Cândido Costa. Os ladrões levaram 347 peças de roupa em cinco minutos, gerando um prejuízo de R$ 14,6 mil.

No bairro São Jorge, zona sul, um posto de gasolina foi roubado três vezes entre julho e agosto deste ano. Segundo o proprietário, que não quis se identificar, os crimes acontecem cerca de duas vezes ao mês. “Como nunca temos mais do que R$ 250 no caixa, o prejuízo não é grande. Mas a rotina é tensa, porque os ladrões sempre estão armados”, disse o empresário, que contratou seguranças após a última ocorrência.

Nos primeiros dias do mês de agosto, uma série de roubos a comércio foi registrada no bairro Planalto, zona oeste, com as mesmas características: uma mulher aborda a vítima com réplica de arma de fogo, enquanto um homem espera na porta. “O prejuízo não foi alto, levaram R$ 150 do caixa e o notebook do meu neto. Mas, era um arrastão, saquearam oito lojas”, disse a dona de uma sorveteria roubada, que não quis se identificar. Os suspeitos dos crimes, reincidentes, foram presos no dia 9 deste mês.

Policiamento

O aumento de saques ao comércio se deve ao término da pena de ladrões presos em 2014, segundo o assessor de imprensa da 9ª RPM, major Julio Cesar Cerizze Cerazo. Para ele, reincidência também está relacionada à implantação das audiências de custódia, em 2015. “Vão progredindo no regime e saem em no máximo um ano e meio. Dificilmente estão reeducados”, disse. Uma das formas empreendidas pela PM para minimizar as ocorrências é a Rede do Comércio Protegido, que estabelece um fluxo de comunicação entre comerciários e policiais de diferentes regiões da cidade. Segundo o major, o patrulhamento percorre todas as ruas da cidade 24h.

Comerciantes avaliam deixar o local

Depois de investirem em diferentes estratégias de segurança, sem sucesso na contenção de roubos e furtos, comerciários avaliam mudar de ponto e até mesmo fechar os negócios. No bairro Aclimação, zona leste de Uberlândia, uma revendedora de bebidas sofreu três roubos desde abril. O último, no dia 10 de agosto, aconteceu quatro dias após o anterior.

“Me preocupa muito a segurança dos meus filhos, que estavam no local em todos os assaltos. Como depois o movimento baixou muito, estamos pensando em fechar a loja”, disse a proprietária, que não quis se identificar.

Depois que sua loja de roupas passou por dois roubos e um furto, as últimas duas ocorrências no bairro Pacaembu, zona norte, Rodrigo Cândido Costa pretende deixar a região. “Já investi R$ 4 mil em câmeras e alarme, mas nada intimida os ladrões. Me sinto sozinho na tentativa de sobreviver no mercado. Nessa crise, como vou me reerguer depois de um prejuízo de quase R$ 15 mil?”

Carolina Monteiro / Correio de Uberlândia


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