Mayana só posta fotos com as filhas, Amanda, 5, e Yana, 7, na web ao chegar em casa
Mayana só posta fotos com as filhas, Amanda, 5, e Yana, 7, na web ao chegar em casa

Tudo bem que dá vontade de dividir com os amigos todas as fofuras do filho nas redes sociais. Mas antes de postar vídeos e fotos, os pais precisam pensar um pouco. A exposição excessiva dos pequenos pode colocar a segurança deles em risco, provocar ansiedade e até frustração.

Alguns cuidados são bem simples, mas eficazes. “Os pais não devem expor os horários de atividades ou locais que a criança frequenta. Evite oferecer muitas informações sobre o que está sendo feito. Não publique fotos na porta da escola ou de uniforme. A gente vive em uma sociedade mais violenta, onde a sensação de insegurança é muito maior”, diz o pediatra Francisco Menezes.
A mestre em engenharia ambiental Mayana Rigo Alves, 33, segue os conselhos. Ela gosta de postar de postar fotos das filhas, Amanda, 5, e Yana, 7, nas redes sociais, mas desabilita a função de localização do smartphone e só publica quando chega em casa. “Não tenho preocupação em excesso. Porém se estou tomando um sorvete, não posto na hora. Somos três mulheres e, quando saímos, muitas vezes estamos sozinhas.”
Mayana é cautelosa quanto à intimidade das filhas e não participa de brincadeiras na internet que mostrem informações sobre a rotina e preferências das meninas. “Me pergunto se elas vão ficar à vontade e sempre posto fotos delas de roupa. Agora que estão crescendo, acredito que o risco seja maior, mesmo que o meu perfil e o do meu marido sejam privados. E elas já estão na fase de opinar se gostariam que eu postasse ou não.”
Prejuízos
À medida que cresce, a criança pergunta quantas curtidas a foto teve e algumas pedem aos pais para publicarem imagens delas. Nesse período, por volta dos 7 anos, surgem outros problemas.
De acordo com o médico, na infância, a necessidade de aprovação imediata é mais intensa do que na vida adulta. Quando os pais publicam um conteúdo, os filhos querem respostas imediatas. “A criança não tem noção que no outro lado a pessoa está fazendo uma atividade diferente da dela. Por isso, fica ansiosa. Ela também gosta de receber elogios. É o que acontece nas redes sociais. Mas quando ele não vem, surge uma frustração desnecessária”, avalia.
A psicóloga Grace Rangel concorda com o pediatra. “As redes sociais são uma ferramenta que usa do feedback alheio para dar destaque aos conteúdos postados. Quando não bem supervisionada, essa exposição pode gerar na criança uma necessidade constante de aprovação.”
Desse modo, o filho passa a se avaliar pelo o que está sendo dito na rede e não pela realidade. “Quanto menor, menos discernimento ele tem para julgar o que é dito e fica mais vulnerável a comentários maldosos e situações de bullying”, alerta Grace.
Bom senso
Apesar de todos esse cuidados, não é nenhum pecado publicar as fotos dos filhos. O limite é o bom senso. A psicóloga lembra que não existe a necessidade de mostrar tudo a todo momento. “Deve ser mantida a privacidade da família”
Por isso, prefira dividir nas redes sociais os momentos de celebração, como aniversários, torneios e formaturas dos filhos, sugere a psicóloga. O pediatra recomenda evitar a superexposição e fazer uma postagem por semana ou a cada 15 dias.
Dicas
Público
As informações publicadas na internet passam a ser acessível a todos. Mesmo em plataformas privadas, há o risco de outros acessarem os dados. Os pais devem analisar se foto ou vídeo podem ser usados para humilhar ou envergonhar a criança, agora ou no futuro.
Configurações
Mesmo quando houver certeza que é possível compartilhar a informação, verifique as configurações de privacidade da rede social, para que o conteúdo seja visualizado apenas por pessoas confiáveis.
Zelo
Enquanto os filhos não têm condições de decidir o que é certo ou errado, cabe aos pais o senso de julgamento da criança a cada postagem. Lembre-se: nem todas as pessoas com acesso à rede têm boas intenções.
Consequências
As frustrações geradas pelas redes sociais podem causar ansiedade. Também há risco de a criança ficar muito rebelde e permanecer acordada até tarde para fiscalizar os efeitos daquela postagem, o que prejudica o sono.
Cuidado
Não publique fotos da criança em situações de intimidade, como na hora do banho, e nem escreva o nome dela completo. Evite fotos na frente de casa ou da escola, e ostentação, melhor. Mostrar bens materiais pode atrai pessoas que têm interesse em cometer algum crime.
Prefira
Publicar imagens de momentos em família e de comemorações.
Converse
Pergunte à criança o que ela acha de publicar determinada imagem. É importante respeitar a individualidade dos filhos.
Repense
Reduza um pouco as postagens para ter mais momentos reais com o filho. A criança precisa ter tempo para viver fora da rede social.

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