Por Paulo Braga

Recepção do Terra em Porto Alegre – RS / Reprodução

Um dos portais de conteúdos pioneiros da Internet brasileira está ‘diminuindo’ seu tamanho para poder se manter no mercado – o Terra descontinuou sua atividades nos Estados Unidos, Peru, México, Chile, Colômbia, Argentina, Venezuela e Equador – no Brasil, o portal continua suas atividades após ser adquirido pela Telefônica Brasil por R$ 250 milhões na última segunda-feira (3) de julho, de acordo com publicação da revista Exame.

Em 2015, o Terra encerrou suas atividades de produção de conteúdo em Porto Alegre e fechou seus escritórios no Rio de Janeiro e em Brasília.

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Segundo o Terra, cerca de 96 milhões de usuários acessam o portal mensalmente e 40% desta audiência vem de dispositivos móveis.  A companhia passou a aumentar o foco da atuação na área de marketing, serviços digitais e mobile.

O Jornalismo on-line ainda não encontrou sua base de receita

Com a migração do modelo de jornalismo impresso para o digital, a quantidade de conteúdo noticioso lido ao redor do mundo tem tido um aumento exponencial nos últimos anos, mas a sustentação do modelo jornalístico independente foi colocado em xeque. A produção de conteúdo exclusivo e de qualidade ainda não encontrou sua base de receita para se tornar viável e rentável na Internet.

Em 2016, foram investidos cerca de R$ 11,8 bilhões em publicidade on-line no Brasil – um aumento de 26% em comparação à 2015. O Google e o Facebook detém cada vez mais, uma parcela significativa do mercado publicitário. A previsão é de que em 2017, os investimentos em publicidade on-line cheguem à R$14,8 bilhões.

A cobertura “hard news”, ou em tempo real, tem o objetivo de chegar primeiro aos usuários ávidos por notícias de última hora, mas pecam no aprofundamento do conteúdo, sendo passível de graves erros. Como jornalista responsável pelo Tudo Em Dia, faço mea culpa – os fatos são publicado rapidamente, já que o noticiário é algo efêmero.

As “Fake news” roubam a receita e prejudicam o jornalismo na Internet

As falsas notícias que tem o único objetivo de “caçar cliques”, tem ganhado força na rede mundial de computadores – as fake news chegaram a ser apontadas como uma das principais variáveis para a eleição do presidente Donald Trump. Quando um blog publica tais conteúdos, a ética e a responsabilidade são substituídas pela busca de receita publicitária gerada por grandes tráfegos de usuários, que acabam clicando ou sendo forçadas a clicar em link de propagandas.

O Google Adsense, uma das principais formas de financiamentos destes blogues, ainda não determinou uma medida restritiva para minimizar o estrago ocasionado pelas fake news. Perdem os anunciantes e perdem os veículos de mídia que trabalham de forma responsável.

O início do Terra no Brasil

O portal teve início com o provedor de Internet NutecNet em 1995, que foi adquirida pelo grupo de mídia gaúcho RBS, tornando-se ZAZ em 1996. Em fevereiro de 2000, o ZAZ foi adquirido pelo grupo Telefónica, substituindo a marca ZAZ por Terra.


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