Pai da criança diz que deu uma cotovelada involuntária no garoto enquanto dormia (foto: Reprodução/TV Alterosa)

A série de agressões cometidas pelo pai contra o menino David Roger Alves da Silva, de 2 anos e nove meses, assassinado em 3 de julho em Venda Nova, foram um dos motivos do indiciamento de Rodney Alves Miranda, de 23 anos, por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. A mãe da criança, Naiane Stefany Silva de Souza, de 22. foi indiciada por homicídio culposo, sem intenção de matar, pois sabia das agressões e se omitiu. As investigações apontaram que o garoto já tinha sido medicado em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Belo Horizonte com traumatismo craniano, possivelmente, por agressões sofridas. Rodney, que já foi preso por tráfico de drogas, nega as agressões.

A morte de David começou a ser investigada em 3 de julho, quando ele deu entrada na UPA Venda Nova com parada cardiorrespiratória, depois de ficar sob os cuidados do pai. Os médicos fizeram manobras de ressuscitação, mas sem sucesso. Como os profissionais de saúde não conseguiram detectar as causas da morte, o corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) onde passou por necropsia.

O resultado foi que o garoto teve hemorragia interna por traumatismo tóraco-abdominal contuso, o que levantou a suspeita contra o pai. “Tinha hemorragia interna causado com um objeto contuso, que pode ter sido uma pancada. O que quer dizer que sofreu inúmeras lesões. Não podemos afirmar que foi por pancada e qual o tipo de pancada, mas o que fez a gente concluir que não foi a cotovelada alegada pelo pai de forma involuntária”, afirma a delegada Fabiola Oliveira, da delegacia de Homicídio de Venda Nova, responsável pelo caso.

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No dia do crime, Rodney foi ouvido e negou as agressões. “Ele alegou que estava dormindo com a criança e fez um movimento brusco ao acordar e dado uma cotovelada involuntária no meio do peito da criança, que acabou acarretando falta de ar. Além dela ter ficado desacordada”, comentou a delegada.

Para a polícia, a versão apresentada pelo pai não condiz com a verdade, pois já há um grande histórico de agressões dele contra David. “A morte não foi acidente. O que nos levou a concluir isso, foi justamente o histórico anterior”, concluiu a delegada.

Medo do pai

A violência de Rodney contra David fica explícita com o comportamento da criança, segundo testemunhas. Pessoas ouvidas pela delegada afirmaram que o garoto chorava todas as vezes que sabia que iria para a casa do pai. “Essas agressões já eram constante na vida dele. Tanto que ele tinha um pavor do pai. Ele não o chamava de pai, referia a ele somente pelo nome e sempre que teria que ir para casa do pai chegava a chorar. Inclusive os vizinhos chegaram a ameaçar a chamar a polícia por causa deste choro”, revelou Fabiola Oliveira.

Levantamentos da polícia mostraram que algumas agressões aconteceram pouco tempo da morte. Segundo a delegada, um mês antes do crime, David apresentou hematomas nas nádegas provocadas, possivelmente, por chineladas. O menino contou para os familiares que o pai o virou de bruços e o agrediu algumas vezes, de acordo com os depoimentos colhidos na investigação. Duas semanas antes do assassinato, ele apareceu com um hematoma no rosto e falou com a empregada doméstica que o Rodney o bateu com um chinelo pois tinha acordado a irmã de seis meses.

“Só que no ano passado, em novembro, o David deu entrada na UPA Venda Nova com traumatismo cranioencefálico. Ao questionar o pai, porque o menino chegou com um inchaço na cabeça e no olho, ele disse aos funcionários que ele teria caído no banheiro. Porém, David disse que realmente caiu, mas que o pai o empurrou e por isso houve a queda”, explicou a delegada.

Em depoimento, Rodney afirmou que tinha um bom relacionamento com o filho, diferente das testemunhas. “As informações são que, inclusive, no dia do atendimento na UPA, David se aproximou de um Guarda Municipal perguntando se a arma dele matava, porque ele queria matar o pai pelo tanto que estava sendo agredido”, comentou Fabiola.

Indiciamento da mãe

Testemunhas ouvidas pela delegada afirmaram que Naiane tinha conhecimentos das agressões, apesar dela negar. “Ela tinha conhecimento. Naiane alega que teve apenas dos hematomas na região glútea, e foi ai que ela se separou e deixou a casa. Porém, testemunhas afirmam que todas as lesões relatadas por ele (David), ela tinha conhecimento. Então, mesmo sabendo das agressões, das lesões, do pavor da criança pelo pai, ela continua o relacionando com ele. Não morava mais, mas dormia com ele, e o deixava tomar conta das crianças”, conta a delegada.

Por causa da omissão, a mãe foi indiciada por homicídio culposo. “Neste caso, a omissão dela foi relevante para o resultado. Sabendo de todo histórico, deixou o pai tomando conta da criança”, completou Fabíola. Já Roney continua negando o crime. O jovem admitiu ser usuário de drogas, mas, segundo a delegada, afirmou que parou de usar entorpecente uma semana antes do crime, no dia do aniversário dele.

As causas do que levaria o assassinato, porém, não foram encontradas. “Na verdade, a motivação certa não conseguimos levantar. Até porque uma criança de 2 anos e nove meses não teria um motivo grave para ser brutalmente assassinada. Chegou informação que ele poderia ter sido morto por ter pedido um biscoito. Naiane também relatou que ela estava para terminar o relacionamento com Rodney e por isso chegou a cogitar ser uma vingança. Outra hipótese e que ele estava sem a droga e, segundo Naiane, estaria extremamente violento por isso”, disse.

Via Estado de Minas


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