Materiais apreendidos foram encaminhados à Delegacia da Polícia Civil (Foto: Mariana Dias/G1)

UBERABA, MINAS GERAIS – Durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (21), em Uberaba, foi apresentado o andamento da Operação “Carga Pesada: Abigeato”, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, em conjunto com a polícias Civil e Militar, Receita Estadual, Procon-MG e Vigilância Sanitária. A ação, que começou há quatro meses, teve o objetivo de desarticular uma quadrilha envolvida em furtos de gado e roubos de cargas em cidades do Triângulo Mineiro.

Ao todo, oito pessoas foram presas. Nesta sexta, também foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, sendo 11 em residências e sete em estabelecimentos comerciais; dois açougues já foram interditados. Ao longo da operação, foram apreendidos documentos, armas de fogo, rádios HTs, celulares, notebooks, anotações, R$ 7 mil em dinheiro e outros materiais.

Além de eletrodomésticos e insumos veterinários, uma das cargas recuperadas pela PM durante a operação foi no dia 12 de julho, quando 20 cabeças de gado que foram furtadas de uma fazenda na região estavam sendo transportadas pela BR-262. Na ocasião, dois suspeitos foram detidos.

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O coronel Lupércio Peres, comandante da 5ª Região da Polícia Militar (5ª RPM), também informou que as apurações continuam. “Açougues da cidade que podem estar recebendo carnes abatidas de forma irregular estão sendo fiscalizados”, contou.

Segundo o Wagner Cotrim Volpe Silva, promotor de Justiça em Conquista, a operação começou depois que uma carga roubada foi encontrada na cidade.

 Com relação à atuação da quadrilha nos furtos de gado na região, Volpe explicou que cerca de duas a três pessoas agiam geralmente à noite. No próprio pasto, os criminosos abatiam e descarnavam os animais, deixando só as vísceras e cabeças e depois vendiam em estabelecimentos comerciais de Uberaba.

O promotor Carlos Valera, coordenador do Gaeco em Uberaba, disse que a população deve ajudar as autoridades fiscalizando estes produtos cárneos nos estabelecimentos.

“Fizemos nosso trabalho, conseguimos as provas. Mas é importante ressaltar que a população tem que nos ajudar fiscalizando estes produtos, exigindo do açougueiro nota fiscal do produto na hora da compra e também verificando a qualidade dos produtos”, reforçou.

Atuação dos órgãos

Carlos Valera também avaliou o trabalho desempenhado pelos órgãos envolvidos na Operação Carne Fraca. “O Poder Judiciário nos concedeu as medidas judiciais para que esta operação tivesse êxito. A Receita Estadual nos disponibilizou auditores para que pudéssemos verificar a origem dos produtos cárneos e a Vigilância Estadual e Municipal e o Procon-MG designaram agentes para que pudéssemos comprovar que os estabelecimentos estariam vendendo produtos oriundos de furto”, acrescentou.

Conforme o delegado Fiscal e de Trânsito da Receita Estadual, André Luís Tucci, a Receita Estadual está verificando o acobertamento fiscal das mercadorias nos estabelecimentos. “Se não houver acobertamento e nem origem dos produtos e for detectada a origem por roubo e furto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai providenciar a questão da apreensão da carne e destruição destes produtos”, disse.

A promotora em Direito do Consumidor, Gláucia Vasquez Maldonado de Jesus, explicou que a atuação do Procon foi voltada à verificação da qualidade dos produtos cárneos.

 “Como não há nota fiscal e os produtos são originários de crime, eles são consequentemente impróprios para o consumo. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) impõe medidas a serem aplicadas no momento da fiscalização caso haja verificação de infrações, como multas, apreensão dos produtos e interdição do estabelecimento, por exemplo”, explicou.

Por Mariana Dias, G1 Triângulo Mineiro


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