Com o retorno de um concunhado que passou 21 dias fora, o pintor Eflaim Afonso, de 28 anos, e os familiares se reuniram no pequeno quintal de casa, em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte, para festejar. Churrasco, cerveja, refrigerante e música embalavam a festinha quando, por volta das 20h40 do último sábado (22), a alegria deu lugar à revolta. O pintor levou um tiro na coxa dado por uma sargento da Polícia Militar que entrou no imóvel pedindo que um dos presentes tirasse o carro da rua B, no bairro Paraguai, onde policiais faziam uma busca por criminosos.

Conforme o boletim de ocorrência, o tiro foi dado pela sargento Sandra, da 203ª Companhia da PM. A família contesta a versão apresentada pela militar na delegacia, a de que o disparo foi efetuado porque os presentes tentaram arrancar a arma da mão dela. “Ela perguntou se alguém podia tirar o carro da rua de forma bem ignorante. Eu falei: ‘Ô tia, se aqui tivesse lugar para pôr, a gente colocava. Aqui nem calçamento tem não. Senão, a gente colocava ao menos no passeio’. Ela, então, xingou palavrões e disse que ia me dar voz de prisão”, contou o pintor.

Segundo os parentes de Afonso, ele não resistiu à voz de prisão e foi imobilizado com uma gravata por um cabo que também participava da abordagem. Os dois se desequilibraram, e, de acordo com a família, após avisar que ia atirar, a sargento deu dois disparos em direção à perna do pintor. Uma das balas atravessou a coxa dele.

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“Ela estava muito alterada. Não foi normal ter abordado a gente daquele jeito”, comentou o homem. A sogra dele, de 70 anos, mostrou-se indignada com a forma com que a situação foi tratada. “Era uma festinha de família, com crianças. Até eu levei spray de pimenta no rosto”, disse.

Folga. Nesta segunda-feira (24), a reportagem do Super Notícia foi até a 203ª Cia, onde a sargento é lotada. Um militar informou que ela estava de folga e disse que não era autorizado a passar o telefone dela. Segundo a PM, o caso foi encaminhado para a Corregedoria, que apura se houve excessos no caso.

Sem trabalhar

Não bastasse o fim da festa, que a PM classificou como “baile funk”, os parentes de Afonso mudaram a rotina. Com a perna imobilizada, ele não poderá trabalhar por, no mínimo, uma semana, e a companheira, que é diarista, já perdeu o dia de trabalho ontem cuidando dele. Preocupados, vários vizinhos foram visitar o pintor nesta segunda-feira (24). 


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