Por Jalila Arabi e Karenina Moss

Linha de produção da fabrica New Holland / Foto: Ricardo Almeida / ANPr

Trabalhadores que cursam ensino técnico têm um diferencial significativo de renda em relação aos que não cursam. Segundo números do Senai, a educação profissional é estratégica para inserir os jovens no mercado de trabalho e tornar o País mais competitivo nesse meio.

Os dados também revelam que jovens entre 20 e 29 anos que concluíram o ensino médio profissional e não fizeram faculdade possuíam menores taxas de desemprego e maiores salários do que aqueles que concluíram o ensino regular e não tinham curso superior. O índice de alunos na Áustria que optam por cursos profissionais, por exemplo, é de mais de 75%. No Brasil, esse número fica abaixo de 10%.

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A professora de literatura, Margareth de Godói, acredita que o ensino técnico é importante para os jovens. “Para o jovem que se decidisse por esse caminho, do ensino técnico e profissional, ele já teria uma inserção imediata [no mercado de trabalho], levando à escolha de uma carreira mais adequada a esse setor da economia no qual ele quisesse se envolver”, explica a professora. Ela defende uma reforma na educação, para que haja mais oportunidades e liberdade de escolha aos estudantes.

Dados da Secretaria de Educação de Minas Gerais mostram que serão oferecidas quase 40 mil vagas em cursos técnicos ainda neste semestre. A expectativa para o ano que vem é ampliar esse número para 45 mil. Para o deputado mineiro Ademir Camilo (PODE-MG), o ensino técnico é uma porta de entrada para que jovens e adultos ingressem mais qualificados no mercado.“Acho que isso é um degrau importante que veio preencher uma lacuna para o País, dando oportunidade para que jovens carentes pudessem chegar muito mais rápido ao mercado de trabalho”.

Na região Sudeste, 55% dos jovens entre 13 e 18 anos avaliam o ensino técnico como ótimo ou bom. Uma pesquisa produzida pelo SENAI constatou que nos próximos quatro anos, será imprescindível para o mercado de trabalho brasileiro a qualificação de 13 milhões de trabalhadores, em setores como Construção (3,8 milhões), Meio Ambiente e Produção (2,4 milhões), Metalmecânica (1,7 milhão), áreas que mais devem ampliar a contratação de novos profissionais.

É o caso de Guilherme Monteiro. Preocupado com as transformações do planeta, o estudante de Relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB), optou por uma formação acadêmica após concluir o curso técnico em Meio Ambiente, do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG). “Sempre me preocupei com as questões ambientais e sei que percorri o caminho certo ao terminar o ensino técnico. Essa bagagem, dos tempos do instituto, foi de grande ajuda para minha função atual, na Agência Nacional de Águas (ANA). Aqui, o trabalho voltado para a preservação de recursos hídricos, traz questões que vão além qualquer fronteira internacional. Portanto, minha formação foi de grande valia para o meu posicionamento no mercado de trabalho”, explicou Guilherme.


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