Por Paulo Braga

Os avanços tecnológicos são implacáveis quando o assunto é revolucionar a forma de viver das pessoas. Profissões e profissionais são a linha de frente que mais sentem os impactos destes avanços constantes da tecnologia.

Vou citar alguns exemplos de profissionais que muitos não sabem que já existiram:

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1 – Armadores de pino de boliche – antigamente, a cada derrubada de pinos, alguns jovens tinham que correr para colocá-los em pé antes de uma nova jogada. Atualmente, um dispositivo instalado na pista, trata de realinhar os pinos automaticamente.

2 – Acenderes de lâmpadas de querosene nas cidades – Até a invenção da luz elétrica e o seu uso na iluminação pública, uma figura era essencial para a iluminação das ruas, que contavam com lâmpadas a querosene. Atualmente, os postes de iluminação pública se acendem automaticamente após um sensor identificar a falta de luz. Já pensou a quantidade de ‘acendedores de lâmpadas’ que a cidade de São Paulo demandaria atualmente?

3 – Despertadores humanos – Até parece piada, mas a profissão de despertador humano já existiu e tratava de acordar as pessoas que os contratava para que não se atrasasse para o trabalho. Atualmente, o smartphone é um dos despertadores mais utilizados.

Fundei minha empresa aos 20 anos de idade, em 2002. Fui um dos propulsores do jornalismo digital e do entretenimento via internet na região do Triângulo Mineiro – uma região muito rica – , porém, muito agrícola.

A quebra de paradigmas foi um dos maiores desafios e fazer com que as pessoas buscassem algo na internet ‘discada’ ainda era um desafio. A grande sacada foi fazer com que as pessoas se identificassem e demos início a uma cobertura de eventos e ampla publicação de fotos digitais. Em 2002, uma câmera digital ainda era muito cara e tive que desembolsar alguns salários para comprar uma câmera de apenas 2MP.

Minha empresa deslanchou com a publicação dos eventos e logo já éramos referência na região. A empresa se mantinha com a venda das fotos – impressas – e também com publicidade.

Empreendedores de dezenas de cidades vizinhas também queriam um portal daqueles, e foi aí que começamos o rentável trabalho de webdesing.

Com os lucros, pude investir em mais conhecimento e paguei minha faculdade sozinho. Investia em marketing e parecia que nada da impediria de ganharmos o Brasil. De fato, isso começou a ocorrer e minha empresa começou a prestar serviços de webdesign e hosting para clientes em várias partes do país.

A evolução fez com que as câmeras digitais ficassem mais populares, mais potentes e muito mais baratas e as pessoas começaram a levar suas câmeras digitais aos eventos e fazer suas próprias selfies (termo que ainda não existia). Neste momento, a receita com a venda de fotos impressas caiu drasticamente e a situação ficou crítica quando o Orkut chegou com força total.

O Orkut – que Deus o tenha – foi um grande revolucionário e trouxe um gosto azedo à minha equipe quando as pessoas começaram a publicar suas próprias fotos nos álbuns particulares e nosso trabalho de cobertura de eventos passou a ser apenas um produto sem grande expressão. As fotos que fazíamos nos eventos eram amplamente divulgadas no Orkut pelos usuários e não recebíamos nada por isso. Mas como é possível fazer uma boa limonada com um limão tão azedo, vimos que a marca ficava cada vez mais forte com divulgação das fotos na ampla rede do Orkut.

Depois de estudar as grandes deficiências do mercado on-line, que ainda engatinhavam no Brasil, criei a primeira empresas de e-commerce quando ainda estava na faculdade. Aproveitei para vender muitas câmeras digitais para amigos, colegas e novos clientes.

Em 2006, o Facebook já dava indícios de se tornar uma rede social imbatível e comecei a analisar aquele cenário. A receita com a venda de fotografias passou a ser simbólica e os custos para manter as coberturas de eventos começou a causar uma grande dor de cabeça. Sempre atento aos números, vi que a audiência do portal começava a declinar e começamos a financiar o departamento de jornalismo com recursos oriundos da prestação de serviço de webdesing e hosting.

Minha empresa investia cada vez mais na produção de conteúdo, remando contra a maré, já que os jornais impressos ainda tinha muita força. Mantivemos o departamento de coberturas digitais de eventos até o final de 2010 e colocamos um ponto final na cobertura fotográfica de eventos, me distanciando do entretenimento.

Em 2011, decidi mudar o nome e marca do portal – que tinha caráter local – para um produto com aspecto global. Surgiu então o jornal e portal ‘TUDO EM DIA’. Neste mesmo ano, queria que as pessoas tivessem a oportunidade de comprar produtos mais baratos em uma loja física e montei a unidade no centro de uma cidade do interior.

Confesso que em meados de 2011 tive vontade de arrancar os cabelos ao ver que a audiência caia drasticamente e as pessoas lamentavam a ‘desconexão’ que tiveram com a antiga marca. Mas enxergava que o futuro era global e mantive a marca ‘TUDO EM DIA’.

Utilizava o jornal como uma ferramenta para vender os produtos da loja on-line e da loja física, mas foi nesta época que cometi um dos mais graves erros da minha carreira – apliquei a política de baixo custo que tinha na loja on-line à loja física.

O Facebook se tornou um ‘gigante’ e vimos nossos clientes abandonando os sites que estavam hospedados conosco para criar suas páginas pessoais na rede social – mas uma vez sentia o golpe da tecnologia no bolso.

O departamento de jornalismo gerava prejuízos densos, mesmo com uma audiência crescente.

Sempre fui um apaixonado pelo marketing, mas o jornalismo ganhava cada vez mais espaço na minha vida e busquei formação para atuar como jornalista profissional.

O portal tudoemdia.com contava com uma audiência notável para a época e inúmeros concorrentes começaram a aparecer na região do Triângulo Mineiro e alguns começaram a plagiar o conteúdo que produzíamos.

Em 2012, foi contratado para cuidar do marketing/jornalismo de uma campanha eleitoral para prefeito. Foi uma grande campanha, mas meu candidato acabou derrotado nas urnas.

Um outro avanço – agora no segmento de e-commerce, dava início a outra revolução dentro da minha empresa. Grandes player começaram a invadir a Internet e já não tínhamos fôlego para competir e nem capital para manter as operações – decidi demitir os funcionários fechar a empresa de e-commerce e a loja física em 31 de janeiro de 2013 às 18h00m.

Foi o golpe mais forte que havia recebido até então.

Sacodi a poeira, parei de lamber as feridas e fui fazer o que mais gostava – marketing e jornalismo.

Aprendi e continuo a aprender diariamente que a evolução tecnológica é implacável e não permite titubear nas decisões – você tem mais chances de vencer se tiver visão para o futuro e capital de giro para suportar os momentos de turbulência.

O jornalismo ainda não é lucrativo. O  marketing em tempos de crise – crise essa que parece ter comprado uma unidade do ‘minha casa minha vida’ e vindo morar no Brasil – está patinando atrás do Google e do Facebook, que hoje são os maiores players de publicidade digital do planeta.

Mas quer saber de uma coisa, AMO O QUE FAÇO! E se tem algo que eu posso dizer com certeza, é que minha vida profissional não temo marasmo até hoje.

Paulo Braga é administrador de empresas, jornalista e pós-graduado em marketing. Fã das séries House Of Cards, Lost e Westworld e apaixonado pelas canções de O Teatro Mágico, Maria Bethânia, Capital Inicial e Legião Urbana.

 


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