Três pessoas morreram e uma ficou ferida em um grave acidente de trânsito na manhã desta quinta-feira, no km 520 da BR-040, no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. Duas motos transitavam no corredor, entre os carros em movimento, e uma delas bateu na traseira da outra e as duas foram parar debaixo das rodas de uma carreta que trafegava na lateral, carregada com 26 toneladas de cerveja.

Luciano Pereira do Carmo, de 42 anos, e o filho dele, Lucas Mateus Rodrigues Pereira, de 18, estavam em uma das motos e morreram esmagados entre as rodas da carreta. Os dois eram auxiliares de carga em uma empresa alimentícia de Contagem e estavam indo trabalhar.

Na outra moto estavam o piloto, Márcio Pereira da Cruz, de 43, que também morreu na hora. A mulher dele, Ana Paula da Silva Pereira, de 36, que estava na garupa, fraturou o braço esquerdo e foi socorrida. Márcio era jardineiro e estava indo trabalhar em Nova Lima, na Grande BH. Antes, ele deixaria a mulher, que é porteira, no emprego dela, em Belo Horizonte.

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Andar de moto no corredor é permitido pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), mas o hábito, que é comum principalmente nas grandes cidades, não é recomendado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). “Em rodovia, principalmente, a gente fala que não tem condições, mesmo”, alerta o policial Luiz Ribeiro. “As duas motos se envolveram numa colisão e depois acabaram caindo sob a carreta, que passou por cima dos ocupantes das motos”, disse o policial.

Segundo Ribeiro, a motocicleta deve ocupar o espaço de um veículo na pista. “Quando o trânsito está totalmente parado, a moto transitar no corredor não vai fazer muita diferença, mas com o trânsito em movimento, a motocicleta tem que ocupar o espaço de um veículo, ainda mais numa rodovia como a BR-040”, explica.

De acordo com o artigo 192 do CTB, deixar de guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu veículo e os demais, considerando a velocidade, as condições climáticas do local da circulação e do veículo, é infração grave, sujeita a multa. “Os pilotos das motos cometeram infração por transitar sem guardar a distância lateral de segurança de outros veículos”, reforçou o policial. “O motociclista tem que andar no meio da faixa para estar bem visível e evitar acidentes.” A perícia vai apurar a velocidade das motos no momento do acidente.

Segundo o policial, o motorista da carreta não teve culpa. “Ele estava na faixa dele. Não há nenhum vestígio de que ele tenha feito uma manobra errada”, informou. O condutor da carreta foi retirado do local do acidente e levado para o interior de uma empresa em frente, para evitar possíveis reações dos parentes das vítimas.

A mulher que sobreviveu, Ana Paula, entrou em estado de choque quando viu a situação dos corpos. Ela acredita que sobreviveu por milagre. “Foi tudo muito rápido. Não consigo me lembrar. Eu só vi quando o meu marido estava caído e eu caída também”, disse a mulher.

De acordo com Ana Paula, ela e o marido estavam na moto da frente e a outra moto, que seguia logo atrás, bateu na traseira do veículo deles, que ficou descontrolado, bateu na lateral da carreta e foi esmagada. Ana Paula confirmou o marido transitava no corredor, entre os carros. “Motoqueiro anda no corredor, né?”, disse ela.

O carregador Edmilson Gonçalves dos Santos, de 32, conta que passava de ônibus pelo local do acidente e reconheceu a moto do cunhado Luciano. “Eu vi da janela do ônibus. Estava escrito na moto ‘Luciano e Elaine’. Elaine é a minha irmã, mulher dele”, disse Edmilson, que também reconheceu o uniforme de trabalho do cunhado. Ele conta que desceu do coletivo e descobriu que o sobrinho também estava morto. “Meu sobrinho tinha acabado de fazer 18 anos”, lamentou. Segundo Edmilson, colegas de trabalho do Luciano já tinham telefonado para ele avisando que o cunhado não havia aparecido no trabalho. “Também falaram de um acidente na 040. Eu comecei a rezar para não ser meu cunhado”, disse Edmilson. 

FOTO: ALEX DE JESUS / O TEMPO
ACIDENTE 040
Familiares das vítimas se emocionaram no local

Trânsito

Até as 10h o trânsito ainda fluía somente pelo acostamento e os motoristas ainda enfrentavam lentidão na BR-040. A reportagem esteve no local e constatou que o acidente ocorreu bastante próximo de um desvio, que é utilizado pelos motoristas como rota de fuga do trânsito. 

Os motoristas enfrentaram vários quilômetros de congestionamento no sentido BH da rodovia, até por volta das 11h20, quando a rodovia foi completamente liberada, segundo a PRF. 

FOTO: ALEX DE JESUS / O TEMPO
ACIDENTE 040
O trânsito está complicado no local, apesar do desvio pelo acostamento

Atualizada às 11h24


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