No Brasil, há cerca de 60 milhões de cães abandonados. A estimativa é que esse número dobre se for considerada a situação dos gatos. O dado, levantado pela Confederação Brasileira de Defesa dos Animais (Confaos), chama a atenção para o controle populacional de animais de rua no país. Em Belo Horizonte, segundo o censo animal realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte em 2016, são ao menos 266 mil cães e 78 mil gatos domiciliados na cidade. Apresentando possibilidades orçamentárias na busca pelo equilíbrio legal, ambiental e sanitário no que diz respeito ao convívio entre seres humanos e animais domésticos nos municípios brasileiros, o Encontro de Parlamentares e Ativistas da Causa Animal acontece neste sábado (2) em BH pela primeira vez.

O evento, organizado pelo deputado federal Marcelo Álvaro Antônio (PR) em parceria com a Confaos, pretende discutir formas de capacitar todos os setores da sociedade para o controle populacional de animais de rua. O encontro será realizado na Câmara Municipal, a partir das 9h.

“Cães e gatos se multiplicam em progressão geométrica. A cada ninhada, um cão gera, em dez anos, uma média de 80 mil animais. Sugerimos um ciclo que envolva o prefeito, os secretários de Saúde e Meio Ambiente, veterinários e ONGs. A proposta é que a dinâmica de amparo desses animais seja modificada, que os centros de zoonoses sejam reformados, que os veterinários ganhem certificados e reconhecimento do governo nas castrações e que esses animais fiquem prontos para a adoção”, ressalta Carolina Mourão, presidente da Confaos.

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Para o deputado Marcelo Álvaro Antônio, a falta de políticas públicas eficazes afeta não só os animais, mas também os humanos, comprometendo a vida em sociedade. Entre outros males, ele citou os acidentes de trânsito, a reprodução descontrolada, o abandono de animais mortos em locais públicos, além do risco de zoonoses (doenças comuns entre pessoas e animais), problemas com lixo e sofrimentos animal e humano. “Temos diversas questões para serem tratadas, como a da venda de animais em mercados e a da exploração e dos maus-tratos de cavalos em charretes e carroças. Os esforços têm que ser contínuos e intensificados”, destaca.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que cerca de 10% dos cães e gatos domiciliados podem ser encontrados nas ruas, sem a supervisão de um tutor. A pasta salienta que, por meio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e da Gerência de Zoonoses, desenvolve políticas para evitar o abandono, o tratamento inadequado e doenças transmitidas por animais. Em média, 260 bichos, entre cães e gatos, são recolhidos por mês pelo CCZ.

Encontro

Câmara. Com a presença de deputados e defensores dos direitos dos animais, o evento começa às 9h, na Câmara. A escritora e protetora dos animais Laura Medioli será homenageada na ocasião.

Minientrevista

Marcelo Álvaro Antônio

Deputado federal (PR)

Qual a maior dificuldade hoje em BH e no Estado em relação aos animais de rua?

A questão da superpopulação dos animais abandonados é uma delas. É questão de saúde pública. Animais abandonados podem transmitir uma série de doenças. É preciso ter um maior controle e castração em massa. Hospitais veterinários públicos auxiliariam muito porque grande parte dos tratamentos é cara. É um assunto não só de Belo Horizonte, mas do Estado. É necessária a união de todos os setores da sociedade.

Quais são as soluções?

Precisamos buscar linhas de crédito para criarmos uma maior infraestrutura de acolhimento. Importante também é um trabalho de conscientização para não se abandonarem os animais e para se adotar em vez de comprar. 


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