Até o dia 3 de outubro, estava tudo bem entre o presidente do Cruzeiro Gilvan de Pinho Tavares e Wagner Pires de Sá. O atual mandatário tinha apoiado e feito campanha para Wagner, eleito para comandar o clube pelos próximos três anos. Mas bastaram a confirmação da vitória para que as coisas se transformassem e as partes virassem inimigas, com trocas de acusações e farpas quase que diariamente.

Em um longo pronunciamento e entrevista, que durou cerca de uma hora e dez minutos na tarde desta sexta-feira (1) na Toca da Raposa II, o presidente Gilvan de Pinho Tavares se defendeu e rebateu as acusações que vem recebendo, principalmente de Itair Machado, convidado para assumir o cargo de vice-presidente de futebol no ano que vem e que seria o pivô de todo o desentendimento nos bastidores celeste. Boa parte do conselho era contra a ida de Itair para o clube.

“Não adianta querer trazer notícias falsas para diminuir o prestígio da nossa administração e para justificar possíveis fracassos do futuro. A gente está escutando da nova diretoria, que vão ganhar o título da Libertadores e do Mundial. Eles estão falando isso, pois estão recebendo um elenco completo campeão da Copa do Brasil, inalterado”, declarou Gilvan.

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Durante sua fala, hora nenhuma Gilvan citou nominalmente Wagner ou Itair. Porém, engrossou o coro para falar sobre o planejamento deixado para a nova gestão. “Estamos deixando para a nova diretoria a oportunidade de disputar a Libertadores, que aumenta a receita, aumenta o entusiasmo do sócio-torcedor, leva mais torcedor para o estádio, valoriza os atletas, se quiserem fazer caixa e vender, poderão. Falam de dívidas na Fifa, mas só a venda do Arrascaeta, que não vendemos, para disputar a Libertadores, pagaria tudo de dívida, que não é de R$ 50 milhões, como está registrado”, afirmou.

Mesmo sem citar nominalmente Wagner Pires a quem apoiou, Gilvan deixou clara sua insatisfação com o antigo companheiro. O clima que já era ruim ficou pior ainda no último sábado quando o dirigente diz ter recebido fotos de Wagner confraternizando com um vereador, que foi acusado de ter armado um flagrante para que Wagner fosse abordado pela polícia antes da eleição e ser acusado de dirigir alcoolizado.

“Durante a campanha para presidente do Cruzeiro teve de tudo, até um flagrante do candidato que nós estávamos apoiando (Wagner Pires), que gerou a prisão dele ao sair do clube do Barro Preto alegando que estava dirigindo sob efeito de álcool. Ele se defendeu, isso foi matéria, inclusive, policial. Ele foi preso está se defendendo até hoje dizendo que fizeram uma armadilha, que fotografaram um vereador de Belo Horizonte colocando qualquer coisa no bolso e foi para o carro da polícia para prendê-lo e etc. Eu fiquei achando que isso era um absurdo alguém armar uma coisa dessa. Mas fiquei muito mais chocado no sábado quando me mandaram um vídeo e fotos desse atual presidente que foi eleito, que nós apoiamos, sentado em um restaurante da Savassi confraternizando com esse vereador que teria armado para ele. Os dois rindo e batendo a taça de cerveja. Me disseram até que ele conseguiu colocar ele na chapa do Conselho. Sou de uma época em que as pessoas de bem não compactuavam e não aceitavam com essas coisas. Eu não sei conviver com isso”, explicou Gilvan.

Para encerrar, o dirigente que entrega o cargo no fim deste ano, disse que vai entregar pessoalmente ao presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro sua declaração de Imposto de Renda de quando tomou posse e a declaração deste ano para mostrar que não tirou qualquer vantagem do fato de ter comandado o Cruzeiro pelos últimos seis anos.