Três dias após a chuva que danificou cerca de 2.000 casas em Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte, famílias ainda dormem em imóveis improvisados e em colchões molhados, sem perspectiva de como e quando vão retomar a vida. É o caso dos Barnabé, como são conhecidos os tios e primos da pequena Yasmin Almeida de Sousa, 10, que emocionou a todos nesta semana ao encontrar os livros e cadernos encharcados e dizer que, durante a tempestade, morreria ao lado da avó de 86 anos se preciso, mas não a abandonaria em hipótese alguma.

Nas últimas duas noites, ela e a avó dormiram no único colchão de casal seco que sobrou na casa de seus familiares que moravam no bairro São Geraldo, o mais atingido. Ela e outras 13 pessoas tiveram que se mudar para uma casa de quatro cômodos alugada por um tio, no mesmo bairro, onde as telhas de amianto não foram danificadas pela chuva.

Todo o chão do imóvel foi forrado por colchões que o pouco sol dos últimos dias ainda não conseguiu secar totalmente. A Prefeitura de Caeté doou três colchões e outros itens, mas ainda falta de um tudo por ali, diz uma prima de Yasmim, Gabriela de Oliveira Santos, 20.

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“Precisamos de mais colchões, cobertores, roupas, sapatos e alimentos”, pediu a jovem, que está desempregada. Além de Yasmin, há mais três crianças na casa e duas idosas. “Minha tia tem 99 anos, tem Alzheimer e precisa de fraldas geriátricas tamanho G”, afirmou Gabriela.

Isso sem falar na necessidade de novas telhas para as quatro casas onde moravam as famílias e material escolar. Após a reportagem, Yasmin ganhou cinco cadernos, mas os dividiu com os primos pequenos.

Assim como a família de Yasmin, outras centenas de pessoas foram atingidas pelo temporal. A prefeitura está recebendo doações no Ginásio Poliesportivo de Caeté, na avenida Carlos Cruz, s/n, no bairro Barro Preto.


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