Causada pelo vírus VHA, da família do Picornavírus, a hepatite A é uma doença contagiosa que vem deixando os brasileiros alertas. Este ano, em São Paulo, foi registrado um aumento significativo dos casos de infecção confirmados em relação a 2016, ultrapassando os 180 casos apenas nos últimos meses – contra 68 ocorridos no mesmo período do ano passado. Segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde, a maioria das pessoas infectadas têm entre 20 e 49 anos e são principalmente homens que se relacionam sexualmente com outros homens HIV positivos

Segundo o infectologista Alberto Chebabo, integrante do corpo clínico do laboratório Lâmina, a relação sexual feita sem proteção é uma das formas de contágio da doença, assim como a ingestão de água ou alimentos contaminados com o vírus. Apesar de não apresentar sintomas em alguns casos, a hepatite A pode causar tontura, dores na barriga e na cabeça, vômito, cansaço e o amarelamento da pele e dos olhos – o que caracteriza o nome popular pelo qual a doença também é conhecida, “amarelão”. Ao contrário da hepatite B e C, que podem gerar infecções crônicas, a hepatite A é uma doença aguda, que nunca cronifica

“O tratamento da hepatite A na maioria dos pacientes é rápido e sem complicações, mas, em pessoas com imunidade diminuída, como HIV positivo ou diabéticos que estejam com os níveis de açúcar descontrolados, o vírus pode se transformar em uma ameaça grave que, se não tratada de forma correta, pode levar à morte”, afirma o especialista. Mesmo pacientes sem outras doenças podem evoluir com falência hepática grave em alguns casos. Nesse caso, o vírus cria lesões no fígado do paciente, causando febre alta e muitas dores no abdome, além da chance de o órgão parar de funcionar. A falência hepática aguda causada pela hepatite A é a principal causa de transplante de fígado de urgência.

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O diagnóstico precoce da doença é importante para que seu tratamento seja feito de maneira correta e eficaz. Através de exames de sangue que detectem a presença dos anticorpos do vírus VHA, é possível confirmar o diagnóstico apenas algumas semanas depois da contaminação. Além da pesquisa de anticorpos específicos, é indicado que o paciente também faça outros exames de sangue mais detalhados, como o AST e o ALT – que procuram por sinais de lesões no fígado.

“A melhor forma que a população tem de se prevenir contra o vírus é através da imunização pela vacina da hepatite A. Ela é aplicada de forma intramuscular e, como é uma vacina inativa, não existem chances de causar a doença no paciente”, explica o dr. Chebabo. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a aplicação das duas doses, com intervalo de seis meses, entre os 12 e 18 meses de idade. Este ano, o Programa Nacional de Imunização (PNI) alterou a faixa etária para a aplicação da dose única da vacina, sendo indicada para crianças entre 15 meses e 5 anos. Adultos que não possuem anticorpos para hepatite A também devem se vacinar, utilizando esquema de duas doses com intervalo de 6 meses.


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