Nos últimos quatro dias, Belo Horizonte registrou mais da metade da chuva prevista para todo o mês de dezembro (a média é de 319,4 mm). Em algumas regiões, o volume superou 70% do esperado, como na Centro-Sul (238 mm), e beirou os 100% na Oeste (292 mm). Para a população, os números são traduzidos em inundações de ruas, alagamentos de casas, deslizamentos de terra e quedas de árvores.

Um problema sem fim diante da necessidade de obras milionárias, que nunca são concluídas. Em 2015, a prefeitura informou que seriam necessários R$ 5 bilhões para executar todas as intervenções necessárias.

Neste ano, o prefeito Alexandre Kalil (PHS) apresentou um plano de obras para 2020, no valor de R$ 2 bilhões. Nessa segunda-feira (4), a Prefeitura de Belo Horizonte não se pronunciou.

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As intervenções, entretanto, nem sempre resolvem o problema de inundações. A avenida Heráclito Mourão de Miranda, a Atlântida, na região da Pampulha, que passou por uma intervenção milionária recentemente, voltou a alagar, assim como a Vilarinho, em Venda Nova.

Para completar, a população ficou ilhada em locais onde não havia problemas, como na avenida Mário Werneck, no bairro Buritis, na região Oeste de Belo Horizonte. A via não está entre as ruas listadas pela prefeitura como áreas passíveis desse tipo de ocorrência nem tem alertas de alagamento.

Providências. A Carta de Inundações, que apresenta o mapeamento de 80 áreas de risco próximo a córregos, foi atualizada em 2009. O coordenador da Defesa Civil da capital mineira, coronel Alexandre Lucas, diz que, quando chove acima da média, os problemas são naturais. Segundo ele, a carta continua sendo referência para macrointervenções, e o surgimento de novas áreas será investigado.

“Vamos analisar cada nova ocorrência para saber se foi algo pontual, como um bueiro entupido, ou uma área com potencial de alagamento, por exemplo”, concluiu o coronel. (Com Carolina Caetano/José Vitor Camilo)

Interdição. A Defesa Civil da capital interditou nessa segunda-feira (4) 62 apartamentos no bairro Camargos, na região Noroeste, após o desabamento parcial de um muro de contenção. Os prédios ficam no Residencial Assunção Life, onde, em 2016, outros dois blocos foram interditados pelo mesmo motivo. Segundo a Tenda, o problema está sendo corrigido.

Deslizamento. Um desmoronamento de terra invadiu casas na Vila São Paulo, na divisa de Contagem com BH, nessa segunda-feira (4). Não houve feridos. O deslizamento atingiu a linha férrea, e uma cratera se abriu. Moradores fecharam a rua em protesto.


Previsão

Mais chuva. A previsão para o Estado é de muita chuva até sexta-feira, conforme o instituto Tempo Clima PUC Minas.

Zona da Mata. Semana de chuva. Em Rio Casca, a temperatura fica entre 22°C e 31°C; em Urucânia, entre 18°C a 26°C.

Capital. Em Belo Horizonte e região metropolitana, o tempo segue instável, com risco de chuvas fortes.

Triângulo e Sul. O sol aparece, mas acompanhado de pancadas de chuva.


Entidade tem prejuízo de R$ 500 mil

As tempestades dos últimos dias provocaram estragos na Cidade dos Meninos, uma das obras do Sistema Divina Providência, que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. As aulas, que estavam suspensas desde quarta-feira, voltaram nessa segunda-feira (4).

“Temos quase 30 casas destelhadas. O teto do refeitório afundou, e a chuva molhou mantimentos e colchões”, disse a superintendente do local, Dolores Bertilla. O prejuízo estimado é de R$ 500 mil. Segundo ela, a entidade precisa, sobretudo, de materiais de construção. O telefone é (31) 3517-3901 (Rafaela Mansur)


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