Após três anos com chuvas bem abaixo do esperado para dezembro em Belo Horizonte, o índice pluviométrico para este mês deverá atingir os 319,4 mm da média histórica ou ultrapassar em até 20% o previsto para o período. Isso se as precipitações continuarem com a mesma intensidade registrada nos primeiros dez dias de dezembro, segundo o 5º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A costureira Joventina Maria de Souza, 60, já está em alerta máximo. Ela é voluntária da prefeitura no Núcleo de Defesa Civil (Nudec) e permanece atenta aos riscos geológicos que, neste período chuvoso, ameaçam seus vizinhos no bairro Vila Jardim do Vale, na região do Barreiro.

Quem também está de olho nos alertas meteorológicos são os voluntários do Núcleo de Alerta de Chuva (NAC), outro programa do município que capacita pessoas para atuarem na prevenção de riscos associados a inundações.

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Atualmente, a capital conta com 47 núcleos de Defesa Civil, com 419 voluntários, e 44 de Alerta de Chuva, com 408 parceiros espalhados pela cidade. Durante todo o ano, eles são treinados pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros e recebem instruções sobre atitudes adequadas que devem ter em situações de desabamento e procedimentos de resgate em caso de enchentes. “Ficamos de olho em encostas, rachaduras nas casas, muros de contenção e cortes de terreno. Já salvamos muitas vidas tirando pessoas de casas que desabaram logo em seguida. Salvar vidas é o melhor pagamento que vem lá de cima, de Deus”, diz Joventina, voluntária há 20 anos.

Mensagens

Avisos. Os alertas de perigo chegam aos voluntários por meio de SMS e por redes sociais. Cada um recebe mensagem específica referente a sua região e repassa à comunidade onde atua.

Voluntário

Na prática. Na temporada de chuva, os voluntários ficam 24 horas sob alerta e põem em prática tudo que aprendem nos treinamentos com os Bombeiros e a Defesa Civil.

Ações. Eles sabem como agir quando há pessoas dentro de um carro durante uma inundação ou quando alguém fica sob escombros, por exemplo.

Ensino. Há três anos, a cultura de risco é levada a alunos da rede municipal. Todo fim de ano, crianças são encaminhadas para oficinas no Corpo de Bombeiros.

Treinamento. Interessados em ser voluntários devem procurar a Urbel.

 

Desde 2013, chove abaixo do esperado

Desde 2013, quando a precipitação de chuva acumulada em dezembro foi de 495 mm, a capital mineira não atinge a média histórica de 319,4 mm para esse período, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). De lá para cá, choveu bem abaixo do esperado para o mês.

“Nos últimos dez anos, dezembro de 2011 bateu o recorde em chuva na capital mineira ao registrar 720 mm, ou seja, 125% acima da média histórica. Em compensação, em dezembro de 2012 só choveu 142,9 mm, apenas 44% do considerado normal para o período pela média histórica”, explica o meteorologista Luiz Ladeia.

“A previsão para este mês de dezembro é de mais chuva nos próximos dias, provocada pela Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), umidade deslocada da região amazônica em direção à região Sudeste. A amplitude é muito grande, e, por isso, chove em todo o Estado”, detalha Luiz Ladeia.

 

Atenções estão voltadas para os aglomerados da cidade

Atualmente, as atenções do Nudec e do NAC estão mais voltadas para alguns aglomerados, como Taquaril, Minas Caixa, Morro do Papagaio, Barragem Santa Lúcia, Cabana do Pai Tomás, onde há o risco de inundação e deslizamento de encostas, segundo a diretora de manutenção e área de risco da Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel), Isabel Volponi.

Ela explica que a cidade tem as manchas de inundação “clássicas” nos pontos que historicamente alagam e que é preciso acompanhar outras áreas. “Uma situação muda em poucos minutos em função das ações da chuva e do homem”, diz. Ela completa que os voluntários moram em áreas de risco ou próximo a elas e são multiplicadores das ações nas comunidades.


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