Se qualquer especialista em vôlei for perguntado sobre os dois ou três melhores times no mundo, os russos do Zenit Kazan certamente estarão entre as respostas. Nas últimas três edições da Champions League, a taça de campeão foi do time do treinador Vladimir Alekno, que garantiu presença no Mundial de clubes, maior competição da modalidade no planeta. Uma das grandes barreiras que o time teve, recentemente, foi o Sada Cruzeiro, que sagrou-se campeão mundial nas duas edições do mundial, obrigando o Zenit a contentar-se com a segunda posição em pleno território mineiro. Em outras participações nesse torneio de clubes, o Zenit foi bronze em 2009 e 2011.

Agora, com a possibilidade de contar com incentivo maior de sua torcida, em função da proximidade geográfica entre Rússia e Polônia, o Zenit não quer deixar, novamente, essa chance de título escapar de suas mãos. A base do time foi mantida, seguindo com o poderio em alto nível com os pontas León (cubano naturalizado polonês) e Matthew Anderson, um norte-americano conhecido por sua categoria em passes e viradas de bola. Na saída de rede, o oposto Mikhailov é o responsável por fazer o jogo girar. Com o líbero Verbov, no fundo de quadra, e Volvich no meio, a equipe torna-se completa, ainda, com Butko no levantamento, fazendo o elenco ser temido dentro e fora da Europa.

Na atual temporada, cumprindo as expectativas, o time lidera o campeonato russo com apenas uma derrota para o Zenit São Petersburgo. No banco de reservas, a equipe conta com um dos nomes mais respeitados do seu vôlei. O técnico Vladimir Alekno, com fama de mal-humorado, segue à frente do time. Era ele o técnico da seleção russa na Olimpíada de Londres, em 2012, quando o time virou o jogo para cima do Brasil após estar perdendo por 2 a 0. Veio de Alekno a ideia de colocar o central Muserskiy como oposto, alternativa que fez toda a diferença no ouro para os europeus. No comando do time desde 2008, ele levou a equipe a oito títulos da liga russa e quatro Champions League.

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Credenciais. O time chega à Polônia com dois troféus conquistados na atual temporada. Depois de abrir o ano de competição com o troféu da Supercopa da Rússia, nos últimos dias, foi campeão da Copa da Rússia, após vitória no tie-break diante do Kuzbass Kiemierowo. Apesar do triunfo, o treinador sabe que sua equipe não está dentro das melhores condições físicas. “Fico preocupado, porque não estamos no melhor nível físico. Mas a força de vontade faz a diferença. Um segundo lugar seria um fracasso”, admite o comandante. Para ele, a parte coletiva ficou comprometida no momento mais importante da competição. “Os seis titulares não conseguiram jogar em conjunto, e a parte individual teve que se sobressair. Não chegaremos no Mundial na forma física desejada”, frisa.

Na decisão, referências do time tiveram que fazer a diferença para o troféu não escapar. O ponta León marcou 22 pontos, seu companheiro de posição Matt Anderson, fez 18, e o oposto Mikhaylov teve 17 anotações.

Bolívar terá pedreira pela frente, e não contará com levantador titular

A briga por ser o maior clube dentro da Argentina, nos últimos anos, esteve polarizda entre UPCN e Bolívar. Em tempos mais recentes, o time da cidade de San Carlos de Bolívar tem sido o representante hermano em competições internacionais. O melhor resultado em Mundiais veio em 2010 e 2016, com um quarto lugar. A meta da equipe argentina, agora, é tentar igualar o feito do rival UPCN, bronze em 2014 e 2015.

Para a edição de 2017, a tarefa parece ser mais complicada. A missão da classificação, cumprida no último ano, só acontecerá com muita luta. “Em uma competição assim não se tem muita escolha, qualquer grupo é pesado. Nós não entramos como favoritos, mas sabemos que temos as nossas chances. Claro que é muito complicado estrear contra o Zenit, mas trataremos de fazer o nosso melhor”, comenta o oposto brasileiro Théo.

Elenco. No saque e também nos ataques, o búlgaro Penchev costuma dar muito trabalho para as defesas adversárias. A experiência do central Pablo Crer e do líbero Alexis Gonzalez, membros fixos da seleção argentina, pode ser útil.

Quem certamente fará falta será o levantador Demián Gonzalez, uma das principais peças do elenco do técnico Javier Weber. Faltando poucas semanas para o Mundial, ele sofreu uma lesão no tendão de aquiles, que o afastará das quadras por alguns meses. Edgardo Lioca foi contratado para substituí-lo. “A ausência do Demián foi um golpe duro. Temos que superar e aceitar que o que aconteceu não tem volta”, lamenta Théo. (DO)

Belchatow é destaque da Polônia e quer fazer jus ao convite da FIBV

Entre os times com reais condições de chegar ao pódio do Mundial de clubes está o Belchatow, da Polônia. A equipe ganhou o convite da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), que resolveu “presentear” um dos locais pelo fato de a competição acontecer em território polonês.

A equipe é a mais vitoriosa do país nos últimos anos, tendo conquistado oito títulos nacionais. Na última temporada, na liga local, foram 25 vitórias e apenas cinco derrotas. Dos triunfos, 15 vieram por 3 a 0. No começo da atual temporada, a equipe bateu o Zaksa, outro representante polonês no Mundial e um dos seus maiores rivais na decisão da Supercopa, título conquistado pela terceira vez.

Em Mundiais, o Belchatow costuma corresponder. Até aqui, foram três participações com duas pratas e um bronze, deixando claras as condições diante de um desafio tão poderoso. Ter a torcida ao seu lado pode aumentar as chances de sucesso.

Instabilidade. Apesar do histórico positivo, dentro da liga local, o Belchatow tem encontrado dificuldades para se firmar no lugar mais alto. O último título veio na temporada 2013/2014, com batidas na trave acontecendo nos anos seguintes (ficou em terceiro e, na última, em segundo).

O técnico italiano Roberto Piazza sabe do potencial do seu time para chegar longe, mas prefere pensar com calma. “Nosso time estará pronto para jogar partidas seguidas dentro da competição. Não sei se é viável já começar o campeonato pensando em título, creio que o melhor caminho seja pensar a cada jogo e nos próximos passos dentro desse desafio tão importante”, comenta. (DO)

Shangai corre por fora e tem pontas internacionais como referência

De todos os times que disputam o Mundial de clubes, muitos dirão que o maior azarão é o Shangai, da China. Presente em uma liga que ainda busca consolidação no cenário nacional, mas vem crescendo a cada ano, a opinião de quem os coloca como zebra pode mudar quando forem informados da dupla de estrangeiros no elenco.

O ponta francês Julien Lyneel, que integra a seleção do seu país, é uma das referências ao lado do também ponteiro argentino Facundo Conte. Os dois são estrelas internacionais que foram contratadas para ajudar a dar mais experiência ao time, em meio a um grupo complicado. “Sabemos das dificuldades que teremos. Para mim, vamos enfrentar o melhor time do planeta”, comenta Lyneel, referindo-se aos russos do Zenit Kazan.

Para o francês, uma das principais armas dos chineses está no saque. “Creio que temos potencial para incomodar. Estamos em processo de desenvolvimento do time como um todo, buscando encontrar mais entrosamento”, admite. O jogador também não crê em uma menor pressão dentro da competição. “Não sei se temos uma responsabilidade inferior. Uma coisa que tenho certeza é que precisamos estar prontos para lutar a todo momento”, afirma. Jogando há pouco tempo no time, Lyneel ainda se adapta à liga chinesa, que vem aumentando seu investimento e contratando jogadores internacionais para fortalecer o vôlei no país. (DO)

* o repórter viajou a convite da organização


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