Prejuízo. Costa e Silva acusam a empresa de vender a mesma carta de crédito para várias pessoas

Um dos golpes mais antigos do país, a falsa carta de crédito contemplada continua a fazer vítimas, apesar dos alertas dos órgãos de defesa do consumidor. Alheias às consequências policiais e judiciais, empresas, que constantemente mudam de nome e de endereço, iludem clientes e provocam prejuízos irreparáveis. Foi isso o que aconteceu com o empresário Verliton Ferreira Costa, 30, e o taxista Dionemar Aires da Silva, 29, que compraram cartas de crédito de consórcio de veículos, de propriedade de terceiros, na R&B Gestão e Vendas, que atua no mercado com os nomes fantasia de Consórcio Contemplado BH e Aliancce Contemplados BH.

Segundo eles, o golpe é simples, mas funciona. “Um vendedor, ou um dos dois sócios da empresa, te oferece uma carta de crédito de outra pessoa, recebe o valor combinado e não repassa o dinheiro para o dono que, por isso, não faz a transferência”, explica Costa, que teve um prejuízo de cerca de R$ 26 mil em abril deste ano. “Eles vendem a mesma carta para várias pessoas”, completa o empresário, que depois disso criou um grupo no WhatsApp, que já conta com nove membros, todos lesados pela empresa e que tiveram, juntos, um prejuízo aproximado de R$ 350 mil.

Já Silva teve um prejuízo menor, de aproximadamente R$ 15.800. Mesmo assim, ele não esconde sua indignação. “Depois de muito tempo sem conseguir fazer a transferência, procurei a empresa e eles começaram a me enrolar, pedindo mais prazo para regularizar a transação. Decidi entrar no site Reclame Aqui e vi que haviam várias queixas”, conta o taxista, que comprou a carta no mesmo mês.

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Compromisso. Após muitas promessas e nenhuma solução, Costa conseguiu que a empresa assinasse em 5 de julho termo de compromisso se comprometendo a devolver o dinheiro até o dia 10 do mesmo mês, o que não ocorreu. Silva fez a mesma coisa, assinou o acordo em 18 de outubro, com previsão de receber em 16 de novembro, mas também não viu a cor do dinheiro.

O empresário admite que faltou cuidado na hora de fechar o negócio. “Chequei todas as informações sobre a empresa, CNPJ e estava tudo certinho, não havia nenhum processo no Tribunal de Justiça. Só não chequei o nome de um dos sócios, já condenado por estelionato e atuando normalmente”, conclui Costa. Procurados por telefone e e-mail, nenhum dos sócios foi localizado.

Falsas promessas também são práticas comuns

Existe ainda uma outra prática que, apesar de não configurar um golpe, é abusiva. Há vendedores de consórcios, funcionários de administradoras devidamente registradas, que fazem uma falsa promessa para conquistar o cliente. Eles dizem que o consumidor será contemplado com o bem logo nas primeiras assembleias, bastando para isso dar um lance de determinado valor. “Não é possível saber com antecedência quantos lances haverá em uma assembleia e nem o valor de cada um. Pelas regras do consórcio, apenas o lance mais alto é contemplado, além do sorteio”, lembra o coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa.

Nesse caso, os consumidores que se sentirem lesados por falsas promessas das administradoras podem recorrer ao Procon de seu município.

Compradores devem ser cautelosos

Segundo o Procon Assembleia, a transferência da titularidade de consórcio não é proibida, mas é preciso se cercar de alguns cuidados. Segundo o coordenador do órgão, Marcelo Barbosa, é preciso desconfiar de promessas lucrativas. “Muitas vezes, o consumidor se empolga com a ideia de um ótimo negócio e acaba agindo impulsivamente, sem pensar que pode estar sendo enganado”, alerta.

Antes de autorizar a transferência da cota, as administradoras de consórcio fazem uma avaliação da capacidade financeira do comprador. Ou seja, não basta fechar o negócio com o titular, é preciso ser aprovado pela administradora. Esse é mais um motivo para não se adiantar qualquer pagamento.

O que fazer

Polícia. Muitos dos golpes envolvendo consórcio são, na verdade, casos de estelionato. Por isso, vítimas que procuram os órgãos de defesa do consumidor são orientadas a acionar a polícia.

Fonte: O TEMPO


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