A Volkswagen espera acertar as contas com as acusações de apoio aos órgãos de repressão da ditadura militar na próxima quinta-feira, dia 14. Pressionada por acionistas, sindicalistas e por entidades de defesa dos direitos humanos, a empresa abriu uma investigação interna e nomeou um pesquisador independente – o historiador Christopher Kopper, da Universidade de Bielefeld, da Alemanha – para verificar as acusações e procurar documentos na sede da empresa e no Brasil.

O relatório foi concluído dois anos depois de o jornal O Estado de S. Paulo revelar que a empresa negociava em sigilo uma reparação judicial em razão de seu apoio à repressão durante a ditadura. O Ministério Público Federal (MPF), com base nos dados colecionados pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), abriu uma investigação sobre o caso, transformada hoje em inquérito civil. O anúncio do resultado da investigação patrocinada pela empresa deve ser feito pelo historiador, com a presença do CEO da empresa para a América do Sul, Pablo Di Ci.

De acordo com o testemunho de ex-operários da empresa e de policiais envolvidos na repressão, além de documentos encontrados no arquivo do departamento Estadual de Ordem Polícia e Social (Dops), a segurança da empresa entregou os nomes de operários supostamente ligados ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1972. O grupo foi preso na empresa e espancado e torturado pelos policiais. A empresa enviaria relatórios com as fichas de funcionários e a identidade dos suspeitos de participação em movimentos grevistas ou subversão até 1982.

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A apresentação do relatório não deve encerrar de vez a disputa envolvendo a montadora e seus ex-funcionários. “Nós temos receio de que a empresa esteja preocupada somente com sua imagem, divulgando agora o relatório, somente depois da repercussão do caso na Alemanha”, afirmou Antonio Neto, presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB).

Para o Grupo dos Trabalhadores da Volks, o número de vítima pode passar de uma centena. Apoiados por todas as centrais sindicais brasileiras, o grupo entregou em setembro de 2015 um documento de 500 páginas para o MPF com as denúncias e reclamavam o que consideram ser o “silêncio” da empresa no inquérito em andamento

Seis ex-trabalhadores da empresa divulgaram agora uma nota qual dizem acreditar que “o relatório do senhor Kopper deverá se somar ao trabalho do perito contrato pelo MPF.”


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