As chuvas intensas de dezembro trouxeram um velho transtorno para cidades como Belo Horizonte, Contagem e outras da região metropolitana: os buracos que reaparecem nos mesmos locais todos os anos e ganham também novos endereços. Só em 2017 já foram tapadas 10.584 crateras no asfalto da capital, média de 35 por dia, com um investimento de R$ 21,5 milhões, segundo a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura. Trabalho e dinheiro que não põem fim ao problema.

Atualmente, duas ruas estão interditadas na capital porque tiveram o asfalto destruído pela chuva: a Gonçalves Dias (entre a rua Ouro Preto e a avenida Amazonas, no Barro Preto, na região Centro-Sul) e a Timbiras (próximo aos números 1.830 e 1.840, no centro). A prefeitura não forneceu um balanço atual do número de buracos na cidade, mas os chamados não param de chegar pelo Disque 156 para relatar um novo endereço. De setembro do ano passado a agosto deste ano (último balanço divulgado), foram 15.943 ligações, média de 48 por dia.

Maquiagem. De acordo com a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, as solicitações são atendidas no prazo máximo de cinco dias úteis. Mas os buracos voltam a abrir após novos temporais ou no período chuvoso seguinte. “É necessário tampar o buraco para a via não ficar intransitável, mas a solução dura pouco. O que as prefeituras fazem é apenas passar uma maquiagem para esconder o problema”, justificou o professor de engenharia de transportes e trânsito da Fumec Márcio Aguiar.

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Segundo ele, o pavimento das ruas não segue o que recomendam as técnicas de engenharia. “O asfalto deve ser dimensionado para resistir à chuva. Mas os municípios optam pelo mais barato, fazem o pavimento por cima de paralelepípedos e bloquetes antigos, sem uma base resistente, e usam uma espessura asfáltica muito fina”, completou Aguiar.

O engenheiro civil João Batista, 73, morador do Belvedere, na região Centro-Sul, observa essa ineficiência todos os anos. “São muitos buracos, especialmente nas rotatórias. Há três semanas, um deles rasgou o pneu do meu carro”, relatou. Ele caiu em uma cavidade na rotatória entre as ruas Severino Melo Jardim e Diciola Horta, que assustava os moradores de tão grande. Nesta semana, a prefeitura corrigiu os problemas no local. “Eles passam só tinta no asfalto, logo os buracos voltam. Dirigir em Belo Horizonte virou adrenalina pura”, acrescentou Batista.

Outros buracos foram relatados em vias como a rua Pitangui, próximo à avenida Silviano Brandão, na altura do bairro Concórdia, na região Leste, e na avenida Teleférico, no bairro Água Branca, em Contagem, além da alça de acesso à Via Expressa, na saída do Anel Rodoviário.

Situação. A Secretaria Municipal de Obras não deu prazo para a liberação das duas vias interditadas na capital. No caso da rua Gonçalves Dias, a Copasa trabalha para corrigir um problema de drenagem. Na Timbiras, apenas sinalização de alerta foi instalada.


Serviço

Capital. O cidadão pode demandar o serviço de tapa-buracos pelo Sacweb, disponível no endereço www.pbh.gov.br/sac; pelo aplicativo BH Resolve Mobile; no BH Resolve e nas sedes das regionais; ou pela Central de Atendimento Telefônico 156.

Contagem. O morador pode procurar a regional do bairro e pedir o serviço de tapa-buraco. Outro canal é o telefone 0800 283 1225. Em ambos os meios, é preciso informar o endereço onde o problema foi encontrado e o número mais próximo.

FOTO: Douglas Magno
buraco
Há problemas também na avenida Teleférico, em Contagem

Operação mais ágil, mas ‘perecível’

Moradores de Belo Horizonte e Contagem, na região metropolitana, dizem ter observado mais agilidade na operação tapa-buracos nos últimos tempos. Mas eles reclamam que os problemas voltam com rapidez. “No ano passado, furei o pneu perto do meu trabalho, em Contagem. Neste ano, os buracos já estão lá de novo”, disse a advogada Juliana Fonseca, 39.

A Prefeitura de Contagem informou que gasta 132 toneladas de asfalto por dia para cobrir os buracos – fora do período chuvoso, a média é de 90 toneladas. Em dinheiro, já foram R$ 7,6 milhões em 2017, R$ 1 milhão a mais que em todo o ano passado. Em ruas onde passam ônibus, a média de tempo para tapar o buraco é de sete dias úteis. Nas demais, são 25.

Rotina. Na capital, a Secretaria Municipal da Obras e Infraestrutura informou que o serviço é feito o ano inteiro, de forma rotineira, de segunda-feira a sábado.

A região que mais demandou o atendimento neste ano, até outubro, foi a Oeste, com 2.481 crateras, seguida do Barreiro, com 1.855, e de Venda Nova, com 1.836. “As gerências regionais adotam ações de manutenção preventiva durante todo o ano, reforçando as vistorias rotineiras a fim de identificar os buracos antes mesmo de a população solicitar o serviço”, completou o órgão, em nota.


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