O dólar perdeu força no mercado à vista na manhã desta terça-feira, 19, pressionado pelo viés de baixa da moeda no exterior em meio à espera da votação do plano final da reforma tributária dos Estados Unidos. Nos primeiros negócios do dia, porém, o sinal positivo predominou com o mal-estar de alguns agentes do mercado em relação ao ajuste fiscal do governo de Michel Temer.

Na noite destas segunda-feira, 18, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a Medida Provisória que adiava em um ano o reajuste do funcionalismo federal e aumentava a contribuição previdenciária dos servidores que ganham mais de R$ 5,5 mil, de 11% para 14%. Com a postergação, era esperada uma economia de R$ 4,4 bilhões, além de outros R$ 2,2 bilhões que seriam obtidos com a elevação da alíquota.

O diretor da corretora Mirae, Pablo Spyer, diz que isso é um duro golpe ao ajuste fiscal das contas públicas, em momento em que o Palácio do Planalto tenta convencer as agencias de risco a não rebaixar novamente as notas de crédito do Brasil. Aumentam as probabilidades de rebaixamento do rating do Brasil, avalia Spyer.

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O economista-chefe da Guide Investimentos Ignácio Crespo diz que a abertura do lado positivo decorreu da percepção de um cenário fiscal local mais difícil para 2018, após a decisão do ministro Lewandowski. “A perspectiva de curto prazo fica mais difícil para o lado fiscal”, afirmou.

Para o gerente de mesa de derivativos de uma gestora de recursos, no entanto, mesmo com a decisão do ministro do STF, o déficit fiscal tende a ficar abaixo da meta de R$ 159 bilhões. “A arrecadação deve melhorar em dezembro com o Natal, e o PIB deste ano deve vir perto ou acima de 1%”, minimizou.

Às 9h37 desta terça-feira, o dólar à vista estava estável, após cair à mínima aos R$ 3,2920 (-0,10%) e de subir após a abertura até R$ 3,3025 (+0,22%). Já o dólar futuro de janeiro voltava a subir, aos R$ 3,2970 (+0,05%). Na mínima, um pouco antes do horário acima, havia registrado R$ 3,2940 (-0,04%) e, na máxima após a abertura, R$ 3,3040 (+0,26%).


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