Uma jovem de 18 anos sofreu um aborto na noite dessa quarta-feira (20), em Rubelita, no Norte de Minas, depois de ser forçada pelo ex-namorado, de 30, a tomar seis comprimidos do medicamento misoprostol, também conhecido como Cytotec. Ela estava grávida de aproximadamente três meses.

O homem, que não teve a identidade divulgada, foi preso em flagrante pela Polícia Civil em sua residência horas depois que deixou a casa da ex – onde ocorreu o crime. A vítima passou mal após a ingestão dos comprimidos e, ao ser levada por familiares a um hospital da cidade, relatou o episódio. A família, por sua vez, acionou a polícia.

A jovem continua internada e, por isso, ainda não foi ouvida pelo delegado José Eduardo Santos, da delegacia de Salinas, também no Norte de Minas, responsável pela investigação do caso. Sem os relatos da vítima, a Polícia Civil ainda não tem os detalhes do crime. No entanto, os familiares que conversaram com a mulher disseram que ela foi ameaçada. “Não teve agressão. Mas houve um grau de coação para que ela ingerisse”, garantiu Santos.

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Em depoimento, o suspeito negou que tenha forçado a ex a abortar. “Ele negou os fatos e disse que era contra o que a vítima tinha feito, que ele não queria (o aborto). O depoimento dele, inclusive, foi contraditório porque ele não sabia afirmar o que aconteceu”, ressaltou o delegado, que apreendeu o medicamento.

A Polícia Civil acredita que o homem não comprou o misoprostol em uma farmácia, uma vez que ele não tinha cópias da receita médica. A corporação vai investigar como ele adquiriu a medicação. A suspeita é de que a compra tenha ocorrido pela internet. “Ele disse que conhecia o remédio e sabia do que se tratava. Falou que descobriu na internet quando pesquisava no Google sobre um site de motos”, concluiu.

O suspeito está preso em Taiobeiras, na mesma região do Estado, mas deve ser levado para Salinas nos próximos dias. O delegado acredita que vai concluir as investigações em até dez dias e o homem deve ser indiciado por provocar aborto em terceiros, o que pode gerar uma pena de três a dez anos de prisão.


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