Um skate elétrico pode ter causado uma explosão que, por pouco, não resultou em uma grande tragédia. Na madrugada do último sábado (16), o brinquedo estava carregando na tomada do quarto de duas crianças no bairro Jardim Guanabara, região norte de Belo Horizonte, quando explodiu e incendiou o imóvel. Por sorte, os garotos de 4 e 12 anos estavam em outro cômodo da casa.

Segundo Ana Paula Coelho Pereira, 32, na noite de sexta-feira (15), ela chamou seus dois filhos para dormirem junto dela em seu quarto, após colocar o brinquedo (hoverboard, mais conhecido como skate elétrico) para carregar. Por volta de 1h30, os moradores da casa foram acordados com uma grande explosão e o cheiro de queimado. “Dei um pulo da cama, gritei meus pais, fui direto ao quarto dos meus filhos. Quando abri a porta, uma labareda de fogo saiu de dentro do quarto.  Um calor insuportável atingiu o meu rosto”, relata.

Ana Paula conta que, logo após, ela ouviu novas explosões e uma fumaça preta cobriu parte da casa. E a casa ficou sem energia elétrica. “Chamei meu cunhado, que mora ao lado, para me ajudar. No mesmo instante, duas pessoas que passavam pela rua entraram no lote para ajudar, enquanto meus pais ligavam para os bombeiros”, diz.

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Depois de jogarem diversos baldes d’água e utilizarem uma mangueira, o fogo foi apagado. O incêndio destruiu tudo que estava no quarto, além de causar prejuízo em outros cômodos da casa. Ana Paula relata que aproximadamente 45 minutos depois de as chamas serem controladas é que o Corpo de Bombeiros chegou ao local.

Segundo ela, roupas, mobília, computador e celular foram destruídos, mas, apesar disso, ela se sente aliviada: “Deus nos deu um livramento. Meus filhos podiam estar mortos agora”, conta.

O brinquedo, descrito na caixa como Smart Balance Scooter 3000 foi dado às crianças de presente pelo pai há aproximadamente um ano. Ele comprou o skate elétrico pelo site de compras Mercado Livre. Seu preço na internet varia entre R$1.000,00 e R$4.000,00, dependendo da marca.

A Polícia Civil ainda não foi acionada para a perícia do local. Os bombeiros que estiveram na casa identificaram que o brinquedo estava carregando e provavelmente ocorreu um curto-circuito na rede elétrica. A princípio, não foi constatada nenhuma ação criminosa. No registro do Corpo de Bombeiros, a família foi orientada a não ficar na residência até que um técnico eletricista avalie a situação.

O Corpo de Bombeiros não quis comentar a suposta demora das viaturas para chegar ao local.

O que é? O hoverboard virou febre no mundo no ano de 2015, quando diversos artistas começaram a utilizar o aparelho em clipes ou até mesmo em casa, postando a brincadeira nas redes sociais. Sua semelhança com um skate voador que aparece em uma famosa cena do filme “De volta para o futuro 2” o tornou ainda mais famoso, principalmente entre os jovens.

Ele anda conforme os movimentos do corpo da pessoa, e é preciso ter equilíbrio. Ele pesa aproximadamente 10 Kg e suporta o peso de uma pessoa de até 100 Kg. Nos equipamentos originais, a bateria tem autonomia para percorrer até cerca de 20 Km com uma velocidade que pode chegar a 10 km/h.

Grande parte das companhias aéreas brasileiras e norte-americanas proíbem o transporte do brinquedo, devido a recentes casos de explosão.

Em março do ano passado, o programa “Fantástico”, da Rede Globo, exibiu uma matéria sobre um caso muito parecido com este de BH. O mesmo brinquedo estava carregando em um apartamento em São Paulo quando começou a sair fumaça de dentro dele. Um menino de 13 anos o tirou da tomada e o objeto explodiu na mão dele. Após colocá-lo no chão, ocorreram novas explosões e o objeto começou a pegar fogo. O jovem não teve ferimentos graves.

Não é difícil encontrar vídeos na internet de hoverboards pegando fogo. E nem sempre eles estão sendo carregados na tomada. Nessa situação, não é recomendável jogar água nele, e sim, utilizar um extintor de incêndio, preferencialmente o classe C (de gás carbônico), por não ser condutor de eletricidade.

FOTO: Eduardo Pereira/divulgação
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Grande parte das companhias aéreas brasileiras e norte-americanas proíbem o transporte do brinquedo, devido a recentes casos de explosão

 


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