Em novo capítulo do ‘Caso Fifa’, Manuel Burga, ex-presidente da Federação Peruana de Futebol, foi inocentado nesta quarta-feira da acusação de corrupção que recaía sobre ele durante julgamento realizado em Nova York, nos Estados Unidos, onde ex-dirigentes de peso do futebol mundial, entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, acabou sendo condenado em outra audiência realizada no mesmo tribunal do Brooklyn, na semana passada.

Emocionado, o ex-mandatário do futebol peruano, de 60 anos, chorou ao escutar o veredicto que o absolveu de culpa na única acusação que pesava contra ele, que era a de envolvimento com uma organização criminosa, com a qual ele era suspeito de ter feito conspiração para extorquir dinheiro enquanto dirigente.

Ao sair do tribunal, ainda com os olhos marejados, Burga declarou: “Deus abençoe os Estados Unidos. Isso é tudo o que posso dizer”. E também prometeu que voltará a desempenhar o ofício de advogado, que ele abandonou durante 15 anos para se dedicar à carreira de dirigente esportivo. “Minha história no futebol acabou. Voltarei ao Direito”, garantiu.

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Os jurados do julgamento iniciado no dia 6 de novembro concordaram com o veredicto que absolveu Burga, que só estava esperando pela devolução do seu passaporte para poder retornar ao Peru. Foi o término do drama do ex-cartola, que foi um dos dirigentes presos no escândalo de corrupção que provocou a detenção de uma série de cartolas do primeiro escalão do futebol mundial em 2015, entre eles o próprio Marin, de 85 anos, que vinha cumprindo prisão domiciliar em Nova York até ter a sua transferência ordenada, na última sexta-feira, para o Centro de Detenção Metropolitana do Brooklyn.

Na última sexta-feira, a juíza federal Pamela Chen considerou Marin culpado de seis de sete acusações de corrupção. Ele foi acusado de conspiração para recebimento de dinheiro ilícito, conspiração para fraude relativa à Libertadores, conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Libertadores, conspiração para fraude relativa à Copa do Brasil, conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Copa do Brasil, conspiração para fraude relativa à Copa América e conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Copa América. A Justiça dos EUA o acusou formalmente de ter recebido US$ 6,5 milhões desde que assumiu o cargo de presidente da CBF, em 2012.

O ex-dirigente foi absolvido apenas da acusação de lavagem de dinheiro na Copa do Brasil. Por ter sido considerado culpado de seis de sete crimes, ele corre o risco de receber uma pena que pode chegar a até 120 anos de prisão, em sentença que deve ser anunciada daqui a menos de dois meses.

Além do brasileiro, outro ex-dirigente de peso condenado na última sexta-feira foi o paraguaio Juan Angel Napout, ex-presidente da Conmebol e um dos ex-vice-presidentes da Fifa. Ele foi considerado culpado em três de cinco acusações de corrupção e, assim como Marin, deixou o regime de prisão domiciliar que cumpria e foi encarcerado nos Estados Unidos. O ex-líder da entidade que comanda o futebol sul-americano, de 59 anos, também espera pela aplicação de sua sentença.

Burga, por sua vez, se tornou nesta terça-feira a primeira pessoa a ser absolvida entre as mais de 40 personalidades e entidades do futebol mundial acusadas nos Estados Unidos de terem relação com uma investigação que descobriu a existência de centenas de milhões de dólares usados em subornos e outras transações ilícitas. Entre estas 40 pessoas investigadas, 24 já se declararam culpadas de atos de corrupção.


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