O setor de calçados e couro de Minas Gerais gerou um saldo de empregos formais, entre janeiro e outubro deste ano, de 3.995 vagas, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Praticamente todo esse contingente foi criado em Nova Serrana, principal polo calçadista do Estado, situada no Centro-Oeste de Minas. O município, segundo o Caged, gerou um saldo positivo de 3.931 no mesmo período.

A receita de sucesso, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Nova Serrana, Pedro Gomes da Silva, envolveu redução de impostos, investimento em treinamento, adequação à demanda do mercado e controle de custos. “É muito difícil hoje uma loja de calçados no Brasil que não tenha produtos de Nova Serrana. É porque temos design e preço”, avalia Silva.

Ele observa que, para a redução dos custos, a diminuição da alíquota do ICMS para o setor, que passou de 3% para 2% do faturamento em 2015, e o treinamento, o que aumentou a produtividade, foram importantes. “Nós adequamos os produtos ao mercado e treinamos o pessoal. As empresas ficaram mais competitivas”, conta.

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Segundo o secretário municipal de Indústria e Comércio de Nova Serrana, Marcelo Caires, em 2017, a formalização de empresas também auxiliou no aumento de vagas registrado pelo Ministério do Trabalho. “Desde junho deste ano, com a abertura da sala mineira do empreendedor, estamos tirando pequenas empresas da informalidade. A ideia é que o pequeno produtor perca o medo de abrir empresa. A maioria vira microempreendedor individual (MEI)”, explica Caires.

A gerente da área de estudos econômicos da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) Daniela Britto identifica uma “mudança estratégica” nas indústrias calçadistas da cidade. “O investimento em um produto mais ligado a moda foi importante para as vendas”, diz a gerente. Ela avalia, no entanto, que a retomada econômica também influenciou o setor.

Migração. A geração de empregos tem atraído profissionais de outras cidades mineiras. “Temos mais de mil empregados que vieram do Norte de Minas. Neste momento, o Senai está treinando cerca de 50 pessoas da região para atuar na indústria calçadista”, afirma Pedro Gomes da Silva. “A cidade recebe muitos profissionais de cidades do entorno. Temos uma população flutuante de cerca de 20 mil pessoas todos os dias que vêm trabalhar aqui e voltam para casa nas cidades próximas”, conta Marcelo Caires. 

Inflação e juros baixos ajudam na recuperação das empresas

No plano macroeconômico, a gerente de estudos econômicos da Fiemg Daniela Britto credita a melhora dos índices de emprego no Estado à queda da inflação e dos juros. O Estado gerou um saldo positivo de empregos formais de 62.257 vagas entre janeiro de outubro de 2017.

“A queda dos juros diminui a dívida dos empresários e das famílias. Isso é tão positivo para a economia quanto a queda da inflação, que aumenta o poder de compra”, analisa Daniela Britto.

No caso de Nova Serrana, Daniela diz que “o setor de calçado foi impulsionado neste fim de ano pelo aumento da confiança do empresário”. A cidade tem 830 indústrias calçadistas e, só no ano passado, produziu 110 milhões de pares de sapatos.

Uberlândia tem saldo de mais de mil admissões no mês

Uberlândia gerou um saldo de 1.375 vagas formais no mês de outubro deste ano. Foram 9.117 contratações, contra 7.742 demissões no período.

Segundo o prefeito da cidade do triângulo mineiro, Odelmo Leão, os setores de maior destaque na cidade são comércio e serviços. “Temos grandes empresas na cidade, como Algar, e o grupo Açaí, que é um atacadista que atende todo o país”, conta Leão.

Para o prefeito, um dos atrativos da cidade é a mão de obra especializada. “Aqui também é um polo de educação. Temos várias faculdades, e isso gera uma mão de obra especializada que as empresas vêm buscar na cidade”, afirma.

Segundo Leão, Uberlândia não observa uma migração de outros municípios em função dos empregos por causa disso.

A presença de distritos industriais e de um novo polo tecnológico que será desenvolvido pela Prefeitura e receberá empresa, a partir do ano que vem, também atraem empresas. “Essas ações são atrativas tanto como os benefícios fiscais”, afirma o prefeito.

A gerente de estudos econômicos da Fiemg Daniela Britto salienta o bom resultado da extração de minerais metálicos, que gerou um saldo positivo de 2.009 vagas, segundo o Caged, entre janeiro e outubro de 2017. “A retomada da mineração é importante para o Estado porque ele impacta outros setores também, como a metalurgia e a siderurgia. Essa movimentação causa um efeito cascata”, diz.

Fonte: O TEMPO


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