Outro ônibus foi incendiado na região metropolitana de Belo Horizonte na manhã desta sexta-feira (29), desta vez no bairro Copacana, na região da Pampulha. Com isso, chega a sete o número de coletivos queimados desde a madrugada da última quarta-feira (27), e o número dos ataques em apenas dois dias já está prestes a alcançar o número de veículos vandalizados durante todo o ano passado, quando oito ônibus foram incendiados. 

As informações iniciais da Polícia Militar (PM) dão conta que os suspeitos atearam fogo no veículo da linha 643 (Estação Pampulha / Copacana) por volta das 5h30 no ponto final, localizado na avenida Universo. Ainda não há detalhes sobre a ação dos bandidos. 

Por volta das 10h30 o veículo danificado continuava no local aguardando a perícia da Polícia Civil (PC), ainda conforme a PM. Uma moradora que preferiu não ser identificada conta que acordou com os barulhos do incêndio. “Acordamos assustados e vimos aquela cena terrível. Inclusive estamos sem luz, pois as chamas danificaram a fiação da Cemig. Queimou o portão da casa do vizinho também”, indica. 

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Um vídeo feito por ela mostra as chamas consumindo o veículo. Confira: 

Ela, que vive no bairro há 28 anos, disse nunca ter presenciado nada parecido. “A gente fica muito assustado, né? Com essa violência desenfreada. E a gente nunca pensa que isso vai acontecer tão perto da gente”, disse a mulher

Conforme o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH), este foi o quarto veículo completamente destruído desde a madrugada de quarta somente na capital mineira, sendo que um quinto veículo sofreu uma tentativa de incêndio que foi contida pelos funcionários da empresa. Com mais este veículo danificado no Copacabana, o número de coletivos destruídos em 2017 já chega a 22, quase o triplo dos oito registros do ano anterior. 

Dois outros veículos foram vandalizados em Contagem, sendo um deles no início da tarde de quinta-feira (28), na BR-040, em frente a um hotel próximo à Ceasa, e o outro no bairro Jardim Riacho, ainda durante a madrugada. 

 

Bilhete

Em um dos ônibus que foram queimados, bandidos ameaçaram “incendiar a cidade”. Quatro dos ataques ocorreram nessa quarta-feira (27), sendo o primeiro no bairro Santa Cruz, na região Nordeste da capital. O bilhete, com reivindicações de dententos da Penitenciária Dutra Ladeira contra a opressão, agressões e torturas por parte de agentes penitenciários, foi deixado durante a ação que destruiu o coletivo da linha 5503 B (Goiânia / Centro).

Ainda no papel estava escrito que, caso o diretor da Dutra, Rodrigo Machado e o Estado, não tomem nenhuma providência, eles vão “incendiar a cidade”. No local, o fogo ainda atingiu um poste de madeira, deixando cinco famílias sem energia. 

Em todos os casos, ninguém ficou ferido e nenhuma criminoso foi preso. A Polícia Civil deve começar a investigar os casos ainda nesta manhã. Caberá à corporação verificar se os crimes têm algum tipo de ligação.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) informou que não é possível estabelecer relação entre o fato ocorrido e o sistema prisional, “até que a Polícia Civil conclua as investigações criminais”

Ainda conforme a pasta, as denúncias formalizadas são “devidamente apuradas e tomadas às providências necessárias, observando normas e preceitos legais pertinentes, a exemplo do amplo direito de defesa e do contraditório”.

 

Prejuízo

Ainda de acordo com o SetraBH, as queimas de ônibus prejudicam principalmente os usuários das linhas, uma vez que há a redução forçada temporária de veículos em circulação. Nos cálculos do sindicato, um veículo queimado ou depredado deixa de atender, em média, a cerca de 500 usuários por dia útil. Os atos de vandalismo também oneram o sistema de transporte coletivo e sua operação, ao reduzir a capacidade de reinvestimento dos consórcios, que não possuem seguro contra ações dessa natureza.

“O SetraBH destaca que todo ônibus incendiado deve ser substituído e que a substituição demanda tempo para que se faça a cotação de preços no mercado e a aquisição de veículo novo. Além disso, deve ser considerado o tempo necessário para a entrega do veículo pelo fabricante, para a instalação da tecnologia exigida pela BHTrans e para a sua vistoria e emplacamento pelo Detran”, diz a nota da entidade.

Cada ônibus convencional queimado significa, além do prejuízo de R$ 400 mil, incluídos no preço as tecnologias embarcadas, o ar condicionado e a suspensão a ar, um veículo a menos na linha por pelo menos 180 dias.


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