Geralda Martins de Souza, a mãe de Souza e dos irmãos

Se pudesse escolher um desejo para ser realizado no ano novo, Matozinho Pinto de Souza, 60, não teria dúvidas: encontrar seus cinco irmãos que ele não vê desde criança. A história cheia de desencontros desse comerciante de Sardoá, uma cidade próxima de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, bem que poderia ser enredo de um filme ou novela.

O drama familiar começou quando sua mãe, Geralda Martins de Souza, teve uma doença que afetou sua memória. “Com as dificuldades ocasionadas pela doença, meu pai nos abandonou numa praça em Governador Valadares. Eu não lembro ao certo qual idade eu tinha, pois eu era muito pequeno. Eu acho que tinha por volta de seis, sete anos”, conta.

O comerciante se recorda que a mãe, contra a vontade dela, foi internada num hospital para doentes mentais. “Quase todos os meus irmãos sumiram. Restaram eu e mais um irmão, que tinha uma idade próxima, que é o Cornélio Pinto de Souza. Nós moramos na praça durante muitos anos, dormindo ao ar livre, comíamos resto de comida e pedíamos esmola para sobreviver”, diz.

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A história dos dois irmãos parecia mudar quando uma pessoa conhecida dos seus pais os encontrou na praça e os levou para morar em sua casa no pico da Ibituruna, hoje o principal cartão postal de Governador Valadares. “Só que devido à pobreza, esse conhecido que nos resgatou não  teve condições de nos sustentar”, lembra-se.

Com isso, ele e o irmão foram parar numa fazenda, onde trabalhavam em condições análogas à escravidão. “O serviço era muito pesado e, como recompensa, a gente ganhava apenas um prato de comida por dia. Não fazíamos ideia da data do nosso aniversário, tampouco da nossa idade real”, diz.

A situação para eles começou mudar, quando a mãe dos rapazes saiu do manicômio e conseguiu encontra-los. Nessa época, Souza já era adolescente, tinha por volta das 16 anos. “Morávamos numa casa de sapé. Tudo era muito duro e difícil, mas, pelo menos, nós três estávamos juntos. Entre o trabalho na fazenda e a hora de dormir, colhíamos palmito na mata para vender na feira”, frisa.

Quando ele tinha 17 anos , mais um integrante voltou para a família, o irmão mais velho, José Pinto de Souza, que hoje tem 70 anos. “Na época, ele havia fugido de casa antes que meu pai nos abandonasse e nos resgatou na fazenda”, diz.

Ele e seus dois irmãos cuidaram da mãe, que faleceu aos 85 anos, em 2002. “Minha mãe chorava constantemente pelos outros filhos que foram tomados dela pelo destino.  Nunca tivemos notícias do nosso pai e não temos esperança que ele esteja vivo.  Com relação ao meus irmãos, ainda tenho esperança de encontra-los”, conta.

O comerciante diz que eles conseguiram a certidão de nascimento de três dos cinco irmãos desaparecidos – Joaquim Pinto de Souza, Maria Pinto de Souza e Ana Sobrinho de Souza. “Não encontrei o documento dos outros dois, mais pelo que me lembro são: Lucia Pinto de Souza e Gerônimo Pinto de Souza”, observa.

Casada com Souza há 35 anos, Zerlane Lopes Martins de Souza conta que há cerca de 20 dias o caso foi divulgado no Facebook. “Pedi meu filho caçula para nos ajudar na divulgação com o objetivo de achar os irmãos do meu marido”, diz.

O comerciante pede para as pessoas entrarem em contato, caso consigam alguma informação sobre o paradeiro dos seus irmãos pelo telefone (33) 9.8739-6715 ou e-mail: [email protected]

Informações que podem ajudar a encontrar os irmãos de Matozinho Pinto de Souza:

– Nome da mãe: Geralda Martins de Souza

– Nome do pai: Sebastião Pinto Sobrinho

– Irmãos desaparecidos:

Joaquim Pinto de Souza
Maria Pinto de Souza
Ana Sobrinho de Souza
Lucia Pinto de Souza
Gerônimo Pinto de Souza


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