A estudante Sabrina Luíza de Paula Soares, de 16 anos, grávida de dois meses, foi morta com um tiro no rosto. Para a Polícia Civil, que investiga o crime, tudo indica se tratar de feminicídio, quando mulheres são assassinadas por causa de seu gênero. O suspeito de 18 anos seria o pai da criança e não estaria concordando com a gravidez, segundo testemunhas.

O crime aconteceu por volta das 23h30 de quarta-feira (3), em um apartamento da rua Dona Carmelita Dutra, no bairro Beatriz, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. O suspeito se apresentou à polícia no início da tarde desta quinta-feira (4) e alegou tiro acidental. Ele tinha sido visto por testemunhas fugindo com a arma em punho e dizendo ter feito uma “besteira”. Sabrina levou um tiro à queima-roupa, próximo ao nariz. O apartamento, segundo a Polícia Militar (PM), era frequentado por usuários de drogas.

Uma prima da vítima, de 20, que pediu para não ser identificada, conta que Sabrina estava em casa, no bloco seis do conjunto habitacional, e o suspeito a chamou para o apartamento onde houve o crime, no bloco dois. “A minha avó tinha acabado de colocar Sabrina para dentro de casa. O suspeito chamou por ela e ela largou o jantar e foi. Dois minutos depois, veio a notícia de que ela tinha levado um tiro”, comentou a prima. “Todo mundo viu ele saindo do apartamento e dizendo que tinha matado ela sem querer. As pessoas estavam com medo, pois ele estava com a arma, e fugiu”, contou a prima.

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Policiais do 39º Batalhão da PM foram ao local e encontram a adolescente caída no sofá. A porta tinha sinais de arrombamento. 

FOTO: Arquivo Pessoal
adolescente
A adolescente estava grávida de 2 meses quando foi morta

O dono do imóvel informou à PM que não estava no local na hora do crime. Ele disse ter emprestado o apartamento para dois adolescentes tomarem banho, há algum tempo, e que há quatro dias não ia em casa. Um dos adolescente citados é o suspeito.

Segundo vizinhos, o dono do imóvel é alcoólatra e praticamente mora com um amigo no bloco ao lado. “O apartamento dele só tem um sofá e uma cadeira. Ele deixou o apartamento nas mãos de usuários de drogas, que arrombaram a porta”, comentou uma vizinha. Seis garrafas com “loló”, substância alucinógena também conhecida como lança-perfume, foram encontrados no imóvel.

Outra moradora disse ter visto o suspeito brincando com uma arma no corredor do prédio, com a porta do apartamento aberta, pouco antes do crime. “Ele estava muito doido devido às drogas que havia consumido. As pessoas chamaram a atenção dele. Pediram para ele tomar cuidado, por ele estar drogado”, comentou a moradora.

Gravidez 

Segundo a prima, Sabrina havia terminado um namoro há algum tempo com um outro rapaz e se relacionava com o suspeito. “A gente não sabia que ela estava grávida. As amigas mais próximas contaram depois que ela fez exame há pouco tempo, no posto de saúde, e que deu positivo. Os legistas também confirmaram a gravidez”, comentou a prima.

Ainda de acordo com a prima, Sabrina não revelou a gravidez por medo da reação da mãe, por ela ser muito nova. “A gente não sabe quem é o pai. Ficamos sabendo que ela estava tendo um caso com esse menino que atirou nela. Ela cuidava dele, lavava as roupas dele, e tudo. A gente não sabe se ela tinha relação com ele antes, quando ainda namorando outra pessoa”, disse a prima. “Ele pode ter feito isso com ela por causa da gravidez. Foi uma crueldade o que ele fez com ela”, reforçou.

Ainda de acordo com a prima, Sabrina não usava drogas, mas convivia com jovens viciados que moram no condomínio. “Ela conversava com todos. Não tinha inimizade e não maltratava ninguém por usar drogas. Ela estudava e cuidava da casa onde a gente mora. Ainda tomava conta da nossa avó”, contou a prima. Segundo ela, a família não conhecia o dono do apartamento. “O apartamento dele ficava ao Deus-dará”, comentou a prima.

Segundo outros moradores, o suspeito estaria fugindo de traficantes de outro bairro e pediu abrigo ao dono do imóvel. O suspeito estaria impedido de frequentar várias favelas da região. O crime é apurado pela Delegacia de Homicídios de Contagem. “O dono do apartamento é alcoólatra e está bem debilitado. Não sabe o que fala. Todo mundo entrava no apartamento dele para tomar banho e usar drogas”, comentou a investigadora Aline Barros Barbosa.

Outro crime 

É mistério para a polícia o assassinato de Marcos Antônio Moreira, de 33 anos, que foi morto na noite de quarta-feira (3) com sete tiros no interior de um Onix prata, veículo que estava com queixa de furto. 

O crime foi por volta das 22h45, na rua José Victor de Lima, na esquina com rua Maria José Armond, no bairro Campos Silveira, em Ribeirão das Neves, também na região metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo testemunhas disseram à PM, a vítima foi surpreendida por dois homens armados que estavam a pé. Eles se aproximaram do carro e dispararam vários tiros na direção da vítima. Ainda de acordo com testemunhas, os autores do crime fugiram em um Uno prata, que estava parado nas imediações.

A perícia recolheu, no local do crime, dezessete cartuchos deflagrados de pistola .40 e de 9 mm. Os PMs verificaram, pelo número do chassi, que o Onix tinha queixa de furto e que a placa era fria. O veículo foi removido para o pátio da Polícia Civil e o crime é apurado pela 10ª Delegacia de Homicídios de Ribeirão das Neves.


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