As aulas nas escolas estaduais de Minas Gerais só vão começar depois do Carnaval – no dia 19 de fevereiro. O ano letivo, conforme o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação em Minas Gerais (SindUTE-MG), estava marcado anteriormente para se iniciar em 1º de fevereiro. A mudança foi anunciada nesta sexta-feira (5) pelo governo do Estado. Segundo a resolução, as atividades de planejamento dos professores terão início no dia 15, e os estudantes regressarão quatro dias depois. O adiamento causou polêmica entre profissionais, sindicato e pais. Para o Sind-UTE, a medida tem relação com economia de gastos. Já a Secretaria de Estado de Educação (SEE) nega a motivação financeira e explica que o objetivo é otimizar os processos de distribuição de turmas e cargos nas escolas, entre outros.

A presidente do SindUTE-MG, Beatriz Cerqueira, considera que a motivação é financeira. “O objetivo é deixar de pagar os trabalhadores da educação (designados) parte do mês de fevereiro”, considera. Ela citou ainda que haverá economia com transporte escolar e merenda, entre outros gastos. “O Estado quer que a educação pague uma conta que não é dela”, considera. Uma professora dos anos iniciais, de 31 anos, que pediu anonimato, não aprovou a mudança. “Eles estão impondo uma mudança sem dialogar, a gente (professor) não sabe nem o motivo. Vamos ter que compensar nos sábados”, disse.

Por meio da assessoria de imprensa, a secretaria informou que os salários dos professores concursados não terá alteração. Já para os designados, o valor pago pelo mês de fevereiro será correspondente aos número de dias trabalhados.

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Outro Lado. O secretário adjunto da SEE, Wieland Silberschneider, garante que não haverá prejuízo para os alunos, já que os 200 dias letivos serão cumpridos. O fim das aulas está previsto para o dia 18 de dezembro. “A mudança no calendário se deve a questões de natureza administrativas. No final de 2017, diversas escolas concluiram o ano letivo próximo do Natal e do fim do ano”, disse. Ele explicou que no último ano as paralisações totalizaram 31 dias, o que atrasou o fim das atividades. Questionada sobre outros anos em que o atraso foi preciso, a assessoria não respondeu.

Ele disse também que são necessárias até três semanas para concluir a contratação de professores. Silberschneider afirmou ainda que os professores terão os recessos, como a semana do professor, entre os dias 15 e 19 de outubro. Sobre os sábados, a assessoria de imprensa da SEE informou que o calendário traz a possibilidade de utilizar quatro sábados letivos ao longo do ano, além dos três já previstos, a critério de cada escola.


Números

3.643 é o número de escolas estaduais que existem nos 853 municípios de Minas Gerais

65 mil é o número de professores concursados (efetivos) da rede estadual de Minas Gerais

2,1 milhões é o número de alunos matriculados nas instituições de ensino estaduais

81 mil é o número estimado de professores designados para o próximo ano letivo no Estado


Mãe diz que criança será prejudicada

A decisão de adiar o início do ano letivo traz preocupação para alguns pais. O filho de 7 anos da desempregada Camila Helena Ferreira da Silva Alves, 28, começou a aprender a ler há pouco tempo e ela teme que mais dias em casa dificultem o processo. “Depois vem greve, e prejudica mais ainda”, reclamou.

Camila disse ainda que não tem condições financeiras de pagar outra atividade para a criança. “E, com essa chuva não posso levá-lo até a praça para ele brincar. Ficar só dentro de casa é complicado”, completou. Ela disse que a vontade do filho é voltar para a escola e reencontrar os amigos. 

Rede. No Facebook, vários professores se manifestaram contrários ao adiamento do início do ano letivo. O post da presidente do Sind-UTE, Beatriz Cerqueira, teve, até o início da noite desta sexta-feira (5), mais de 190 compartilhamentos e 20 comentários. (AD)


Saiba mais

Mobilização. A presidente do Sind-UTE, Beatriz Cerqueira, informou que o sindicato vai elaborar um calendário de mobilizações para “impedir que o governo continue fazendo que a Educação pague uma conta que não é dela”.

Salário. Os professores irão receber o 13º em quatro parcelas – a primeira em 19 de janeiro, de 25% do total.

Orçamento. Beatriz questiona os investimentos na educação. O Estado informou que os recursos em 2017 estão dentro do previsto em lei, de R$ 10.788.615.425, 25,26% da arrecadação de impostos.


Minientrevista

Wieland Silberschneider
Secretário adjunto de Educação

Por que o início do ano letivo foi alterado pelo governo?

A mudança do calendário se deve a razões administrativas. No final de 2017, tivemos diversas escolas concluindo o ano letivo próximo ao Natal e ao fim de ano, devido a reposição das paralisações conduzidas pelo sindicato. Ao longo do ano, (as paralisações) totalizaram 31 dias letivos. Além disso, nós estamos com o processo de designação dos professores, que é anual e obrigatório. Faremos isso (designação) a partir da segunda quinzena de janeiro.

Os alunos terão menos dias de aula? E as folgas?

Os alunos terão os 200 dias letivos mantidos, e os professores continuarão a ter os recessos e as férias. A semana do professor será mantida.


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