Em média, pacientes que procuram as Unidades de Pronto-Atendimento de Belo Horizonte (UPAs) esperam três horas para serem atendidos. A situação foi constatada durante três dias de visitas da reportagem às instituição de saúde. O cenário foi confirmado ainda pelo secretário municipal de Saúde da capital, o médico Jackson Machado Pinto. “É óbvio que existe essa espera. Eu não poderia negar a existência dela”, enfatizou. A partir de segunda-feira (15), porém, um programa que pretende reduzir esse tempo de espera para 30 minutos em alguns casos começa a funcionar na UPA Odilon Behrens, na região Noroeste da capital. Até abril, o projeto deverá ser implantado nas outras sete unidades de BH.

Segundo o secretário, a iniciativa está sendo testada há cerca de três meses na UPA Pampulha, na região de mesmo nome e, por causa do sucesso, será expandida para a unidade Odilon Behrens – escolhida para dar continuidade ao projeto por causa do alto índice de atendimentos diários.

A ideia é fazer uma espécie de segunda priorização no atendimento e agilizar o tratamento de pacientes que realmente precisam de uma unidade de emergência. Já aqueles que buscam as UPAs, mas poderiam ser tratados em centros de saúde, poderão continuar na fila.

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Funcionamento. Pacientes classificados na triagem como azul ou verde que atenderem ao menos um de três quesitos serão atendidos em até 30 minutos. Haverá uma segunda equipe de médicos e outros profissionais para agilizar as consultas.

Serão priorizados pacientes idosos com alguma doença ou vinculados a algum centro de saúde. “Isso quer dizer que, se chegarem um paciente diabético acima de 60 anos com dor na perna e um jovem de 20 anos com um cabelo encravado, o rapaz poderá esperar dez, 20 horas”, detalhou.

O atendimento para aqueles classificados na categoria vermelho deverá ser imediato. Os pacientes com a cor laranja serão atendidos quase que de forma imediata, e os classificados como amarelo receberão atendimento em até uma hora.

O pedreiro Manoel de Oliveira, 69, usuário da UPA Pampulha, disse que foi atendido em cerca de 30 minutos. Ele contou que percebeu maior agilidade no processo. “Esperei uns 25 minutos, e o resto do tempo foi de tratamento”, relatou.

 

Parte dos usuários é de outras cidades

Cerca de 20% dos atendimentos feitos nas nove Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) de Belo Horizonte estão relacionados a pessoas de outros municípios – fato que contribui para a demora no atendimento.

De acordo com o secretário Jackson Machado, isso ocorre porque pacientes da região metropolitana preferem o atendimento da capital por causa da melhor estrutura, entre outros fatores.

Opinião

“A gente chegou à 1h20 e só foi atendido lá pelas 3h, 4h, mesmo assim porque eu insisti. Minha avó já é idosae deveria ter prioridade.”

Simara Ferreira

Professora

“Sempre uso a UPA Venda Nova. É demorado, mas eles atendem e suprem nossas necessidades.”

Tatiana Soares

Usuária UPA Venda Nova

Minientrevista

Jackson Machado Pinto

Secretário de Saúde

O senhor admite que há uma demora média de três horas em atendimentos de casos não urgentes nas Unidades de Pronto-Atendimento da capital? É óbvio para nós que existe essa espera. Eu não poderia jamais negar a existência dela. O que acontece é o seguinte: quando uma pessoa procura um serviço de saúde, ela é avaliada em relação à necessidade do atendimento. Esse é um protocolo médico. Os pacientes que são classificados como verdes e azuis são aqueles que não têm indicação de estar em uma UPA para atendimento. O problema poderia estar sendo resolvido em um centro de saúde.

Mas existe atendimento rápido nos centros de saúde? O caso agudo é atendido também. Na quarta-feira da semana passada (atrasada), verifiquei que, em duas de nossas UPAS, 78% das pessoas que estavam lá não precisavam estar lá, poderiam estar nos centros de saúde (regiões Centro-Sul e Oeste). Na UPA Odilon Behrens, o número é de 58%.

FOTO: Uarlen Valério – 31.7.2017
jackson machado pinto
 

 


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