Todos os dias Walmir Pereira Xavier, de 54 anos, acordava às 3h para seguir em direção à Ceasa, para onde transportaria trabalhadores e compraria queijos para revender em seu bairro, o Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. Entretanto, o caminho diário dele foi interrompido tragicamente na madrugada desta quarta-feira (17), quando ele tentou fugir de uma abordagem de bandidos e acabou baleado na nuca e morto, no bairro Chácaras Cotia, em Contagem.

A cabo Karina Rotchely, do 18º Batalhão da Polícia Militar (PM), conta que a vítima seguia pela rua Joaíma em sua Kombi, transportando outras quatro pessoas, quando percebeu alguns indivíduos na parte de vima da via abordando alguns veículos. “Ele notou que provavelmente seria uma tentativa de roubo, se assustou e tentou fazer uma manobra de marcha ré para voltar. Quando ele manobrava, olhando para trás, um dos indivíduos efetuou o disparo que atingiu a nuca dele”, conta.

Após ser baleado, Xavier perdeu o controle do veículo, que bateu no meio-fio e furou dois pneus. Com medo de também serem baleadas, as pessoas que estavam na Kombi saíram correndo.

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O motorista foi atingido por um único disparo fatal e os suspeitos fugiram. Nenhuma testemunha conseguiu ver qual veículo foi usado e nem o número de suspeitos que participavam da ação.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas os médicos já encontraram Xavier sem vida no local. O rabecão foi acionado e removeu o corpo ao Instituto Médico-Legal (IML). “A parte da PM está sendo feita. Nós seguimos no rastreamento, para ver se conseguimos mais informações destes suspeitos, e a parte investigativa fica a cargo da Polícia Civil”, concluiu a militar.

“A gente sai vivo e não sabe se volta”, disse irmão da vítima

Já na manhã desta quarta-feira, o irmão de Xavier, José Antônio Pereira, de 65 anos, compareceu ao local do crime. Foi ele quem contou o cotidiano da vítima. “Ele acordava 3h, saía 4h de casa para levar o pessoal que trabalha na Ceasa e comprar queijo para revender nas ruas do Justinópolis. A gente sai vivo para trabalhar e não sabe se volta. É a vida, né?”, lamentou o parente.

Ainda segundo ele, o vendedor era casado e deixa um filho de 20 anos. “Só morre inocente e trabalhador. Eu ainda não fui em casa, não tive como contar para a mulher e o filho dele. Eu trabalho no Ceasa, vim direto de lá. Meu irmão vendia queijo há 25 anos, era muito conhecido na região. Agora o que a gente pode fazer é torcer para que a polícia dê um jeito, para prender esses bandidos. Não vai trazer meu irmão de volta, mas pelo menos que paguem pelo que fizeram”, finalizou Pereira.


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